Título
Associação arte da terra: das mãos das mulheres artesãs as relações educativas construídas no processo de autogestão do trabalho
No distrito de Progresso, em Tangará da Serra - MT, seis mulheres artesãs dedicam-se à modelagem do barro, na perspectiva da solidariedade, da divisão do trabalho para a produção e criação de artefatos culturais e peças ornamentais de objetos que representam aspectos característicos do modo de viver e da cultura local. De suas mãos são criadas fontes e jarros d'água, aves como os tuiuiús e os tangarás. Pratos decorativos de paredes, potes e demais peças de cerâmica. No presente texto dissertativo apresentamos o caminho de uma investigação realizada durante o curso de Mestrado em Educação no período de 2010 e 2011 e que teve como objetivo compreender os fios que tecem as relações entre trabalho e educação. Destacamos as relações produzidas pelas mulheres artesãs, como agentes pedagógicos e os espaços apreendentes, na experiência de fazer arte com argila. A partir de um estudo de caso como perspectiva metodológica percorrida, observamos as mulheres artesãs no processo de produção; participamos da experiência cotidiana de seus afazeres; entrevistamos individualmente cada uma delas, além do secretário municipal de economia solidária de Tangará da Serra. Assim como, longas e significativas conversas coletivas foram feitas durante a realização de atividades, tais como: feira de produtos artesanais e alimentícios do município, loja de comercialização dos produtos e espaço de criação das peças no ateliê. As anotações foram feitas num diário de campo, as entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra, após serem consentidas em 'Termo de autorização', bem como as imagens fotográficas. As dimensões do trabalho como princípio educativo, a partir do conceito de Gramsci, foram centrais para estabelecer os pontos de encontros entre os processos econômicos e produtivos. Discorremos a respeito das relações com o saber construídas pelas mulheres, onde o significado de produção coletiva se expressa na garantia do direito ao controle de suas produções. Em Karl Marx nos ancoramos para compreender as questões do trabalho e seus condicionantes, pois percebíamos que o grupo de mulheres artesãs, através da criação de estratégias e condições que assegurem a melhoria da qualidade de vida e o seu bem estar no mundo, vinculava-se à valorização do trabalho numa perspectiva que aponta para a autogestão. Em Tiriba foi importante perceber a pedagogia da produção associada, como as seis mulheres se encontram para produzir suas peças, e como compartilham suas aprendizagens. Nossas análises foram realizadas a partir dos estudos destes autores, do percurso metodológico desenvolvido e das reflexões advindas da concepção do materialismo histórico e dialético. Destacamos que o acompanhamento das relações de trabalho e educação do grupo de mulheres artesãs nos fez perceber que elas estão vivendo um processo de disputa por legitimação e validação social desse modo de produção da existência, vinculada à reprodução ampliada da vida. Elas apropriam-se do processo de trabalho e contribuem para a construção de seus mundos. Apontam para o entendimento de que a realidade não é, está sendo e por isso é passível de transformação. É possível dizer que a experiência das mulheres artesãs surge como possibilidade de reivindicar seus direitos, de compreender as relações sociais construídas nos espaços apreendentes e a função que nelas desempenham. É, portanto, trabalho educativo.