Título

Associação arte da terra: das mãos das mulheres artesãs as relações educativas construídas no processo de autogestão do trabalho

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Ilza Nunes da Cunha Polini
Nome do(a) orientador(a)
Edson Caetano
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2012
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

No distrito de Progresso, em Tangará da Serra - MT, seis mulheres artesãs dedicam-se à modelagem do barro, na perspectiva da solidariedade, da divisão do trabalho para a produção e criação de artefatos culturais e peças ornamentais de objetos que representam aspectos característicos do modo de viver e da cultura local. De suas mãos são criadas fontes e jarros d'água, aves como os tuiuiús e os tangarás. Pratos decorativos de paredes, potes e demais peças de cerâmica. No presente texto dissertativo apresentamos o caminho de uma investigação realizada durante o curso de Mestrado em Educação no período de 2010 e 2011 e que teve como objetivo compreender os fios que tecem as relações entre trabalho e educação. Destacamos as relações produzidas pelas mulheres artesãs, como agentes pedagógicos e os espaços apreendentes, na experiência de fazer arte com argila. A partir de um estudo de caso como perspectiva metodológica percorrida, observamos as mulheres artesãs no processo de produção; participamos da experiência cotidiana de seus afazeres; entrevistamos individualmente cada uma delas, além do secretário municipal de economia solidária de Tangará da Serra. Assim como, longas e significativas conversas coletivas foram feitas durante a realização de atividades, tais como: feira de produtos artesanais e alimentícios do município, loja de comercialização dos produtos e espaço de criação das peças no ateliê. As anotações foram feitas num diário de campo, as entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra, após serem consentidas em 'Termo de autorização', bem como as imagens fotográficas. As dimensões do trabalho como princípio educativo, a partir do conceito de Gramsci, foram centrais para estabelecer os pontos de encontros entre os processos econômicos e produtivos. Discorremos a respeito das relações com o saber construídas pelas mulheres, onde o significado de produção coletiva se expressa na garantia do direito ao controle de suas produções. Em Karl Marx nos ancoramos para compreender as questões do trabalho e seus condicionantes, pois percebíamos que o grupo de mulheres artesãs, através da criação de estratégias e condições que assegurem a melhoria da qualidade de vida e o seu bem estar no mundo, vinculava-se à valorização do trabalho numa perspectiva que aponta para a autogestão. Em Tiriba foi importante perceber a pedagogia da produção associada, como as seis mulheres se encontram para produzir suas peças, e como compartilham suas aprendizagens. Nossas análises foram realizadas a partir dos estudos destes autores, do percurso metodológico desenvolvido e das reflexões advindas da concepção do materialismo histórico e dialético. Destacamos que o acompanhamento das relações de trabalho e educação do grupo de mulheres artesãs nos fez perceber que elas estão vivendo um processo de disputa por legitimação e validação social desse modo de produção da existência, vinculada à reprodução ampliada da vida. Elas apropriam-se do processo de trabalho e contribuem para a construção de seus mundos. Apontam para o entendimento de que a realidade não é, está sendo e por isso é passível de transformação. É possível dizer que a experiência das mulheres artesãs surge como possibilidade de reivindicar seus direitos, de compreender as relações sociais construídas nos espaços apreendentes e a função que nelas desempenham. É, portanto, trabalho educativo.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
30/12/2069