Título
A Educação Ambiental e a (trans)formação docente: da cultura ao biológico da biologia ao cultural
Este trabalho está fundamentado na obra de Humberto Maturana, criador da biologia do conhecer e da biologia do amar. Estas, têm servido como base para suas pesquisas junto com Ximena Dávila, ao constituírem o que denominam biologia-cultural. O modo de produzir conhecimento e o próprio sistema de pensamento, que emergem simultaneamente com o trabalho de Maturana, constituem um modo de lidar com as questões do humano em bases diversas do que têm oferecido as filosofias e as ciências que estudam o humano. Em especial na educação, o humano se apresenta como objeto, tanto da intencionalidade como não-intencionalidade própria de qualquer interação. Essa preocupação sobre o sentido do humano que se adota no educar, consciente ou inconscientemente, é um ponto de partida para o presente trabalho. O tema do humano envolve conhecimentos produzidos em diferentes espaços. A tese procura abordar algumas perspectivas no sentido de evidenciar as diferenças de alguns dos sentidos que têm sido propostos e utilizados, em diferentes disciplinas, e o que se poderia abrir desde a perspectiva aqui adotada. São apresentadas algumas das principais noções que compõe a biologia do conhecer e a biologia do amar, assim como algumas elaborações que surgem com a biologia-cultural. Com isso procura-se estabelecer um espaço de compreensão em um modo de produzir conhecimento e em uma maneira de pensar desde a qual são apresentados temas pertinentes aos espaços do educar, tais como: o escutar; o conhecer e o autoproduzir-se no educar; o amar; a ética; a cidadania. O humano, como um sistema vivo, é olhado em seu operar relacional. Assim, as emoções são abstraídas como dinâmicas relacionais, e concomitantemente com a linguagem, emergem com nosso viver no conversar. Com essa perspectiva, junto com nossas possibilidades humanas na linguagem, incluem-se as dinâmicas relacionais como um dos espaços básicos no qual nos fazemos humanos. Uma maneira de refletir sobre o vivo em que nos constituímos, em que se abre lugar para um conhecimento sobre nós mesmos que considera nossos desejos, emoções, quereres, preferências, não como algo eventual ou especial, mas como dinâmica básica de todo o vivo e fonte primária do que fazemos. Junto com isso, possibilita uma compreensão sobre a responsabilidade ética e social, que desse modo aparece imanente em todo nosso fazer. Com o saber que se afigura nessa trama, se abre um conhecimento fundamental em todo o alcance do educar, em especial para o refletir das pessoas, docentes e discentes, em suas interações e seus fazeres humanos entre si, e com o entorno não humano, vivo e não-vivo.