Título
Atitudes de conservação e conhecimento de pescadores artesanais sobre tartarugas marinhas (Reptilia: testudines) no sul da Bahia, Brasil
Há registro de sete espécies de tartarugas marinhas no mundo. Dessas, cinco são encontradas na costa litorânea do Brasil. Numa esfera global todas essas espécies se encontram em algum grau de ameaça. Diversas são as causas da redução da população desse quelônio nos últimos anos. Não obstante, a interação com a pesca representa o maior fator de mortalidade desses táxons, com destaque a duas artes de pesca: rede de arrasto e rede de lagosta. Devido aos poucos estudos com comunidades pesqueiras tradicionais e tartarugas marinhas na região sul da Bahia, o presente trabalho buscou identificar e avaliar o conhecimento ecológico e as possíveis atitudes tomadas pelos pescadores artesanais em relação à conservação e a captura acidental de tartarugas marinhas em Ilhéus, sul da Bahia, Brasil. A pesquisa foi conduzida com 30 pescadores especialistas, reconhecidos como os detentores do conhecimento sobre a pesca na região. O conhecimento e as atitudes em relação à conservação de tartarugas marinhas foram respectivamente médio e moderado, segundo os parâmetros de classificação adotados (baseado na escala de likert e Alfa de Cronbach). As atitudes mediram o grau de consciência do entrevistado sobre o estado de conservação das tartarugas e as tendências em terem ações favoráveis ou/e desfavoráveis em relação à manutenção da população de tartarugas na região de estudo. Possíveis áreas de desovas foram relatadas pelos especialistas. Alguns comportamentos e dados ecológicos do quelônio em estudo foram corroborados com a literatura científica. A maioria dos pescadores mencionou ter capturado tartarugas durante alguma operação de pesca recentemente. As regiões costeiras de Ilhéus, Olivença e Acuípe foram destacadas como áreas de grande probabilidade de captura acidental. As últimas capturas foram atribuídas à linha de pesca. Entretanto, segundo especialistas, a rede de lagosta e a rede de camarão apresentam maior probabilidade de captura do animal. O conhecimento e as atitudes não mostraram relação com a idade, número de filhos e tempo de associação com a colônia de pescadores. Conhecimento e atitudes foram fracamente inversamente correlacionados (r = -038, p = 0.04). O nível educacional do entrevistado mostrou ter uma relação positiva com atitudes positivas em relação à conservação do recurso (H = 8.33; p = 0.04). Foram identificados crenças e tabus alimentares (tabus segmentares, tabus de história de vida, tabus de hábitat e tabu exógeno). A espécie <i>Lepidochelys olivacea</i> (ESCHSCHOLTZ, 1829) foi o único registro de captura acidental na região e a Cpue para uma embarcação de rede de arrasto foi de 13.07 tartarugas por hora de arte de pesca no mar. Estudos etnoecológicos, continuação de projetos de educação ambiental, monitoramento de áreas de desovas e a utilização de recursos pesqueiros moderadamente são recomendados para o sul da Bahia.