Título
A fórmula desenvolvimento sustentável na mídia mato-grossense
Nossa pesquisa tem como objetivo analisar discursivamente os sentidos que são dados a circular pela fórmula “desenvolvimento sustentável/sustentabilidade” no espaço discursivo jornalístico mato-grossense. Tomamos como referência para constituição de nosso <i>corpus</i> matérias de um jornal de grande circulação do estado, A Gazeta, sediado em Cuiabá. Como recorte temporal, estabelecemos os anos que compreendem de 2006 a 2010. O interesse pela questão surgiu a partir de reflexões como professor de ensino básico, que tem como um de seus os papéis a promoção e inserção do conteúdo de educação ambiental no cotidiano escolar e, principalmente, por observar como o ambiente, por meio do sintagma nominal “desenvolvimento sustentável/sustentabilidade”, vem sendo engendrado em diferentes sentidos, nos mais diversos espaços sociais. Pensando nisso, acreditamos que a escola torna-se um dos espaços para discussão e sensibilização à temática, tendo como foco desnaturalizar o discurso hegemônico, capitalista, desenvolvimentista e impregnado em nossa sociedade. Trabalhamos com a hipótese de que no espaço escolar o discurso hegemônico é predominante. Assim, nos propomos a evidenciar tais discursos, perscrutando-os para desnaturalizá-los em seus sentidos. Dessa forma, perguntamos: quais sentidos que foram e estão sendo construídos sobre a fórmula “desenvolvimento sustentável/sustentabilidade” no espaço midiático a que lançamos nosso olhar teórico-analítico? Qual é o papel da mídia na circulação e cristalização da fórmula? Para responder a tais questões, utilizaremos as orientações da análise do discurso da linha francesa, oriundas das proposições de Michel Pêcheux, mobilizando conceitos tais como memória discursiva e acontecimento. Entretanto, para tratar mais especificamente e para pensarmos a fórmula “desenvolvimento sustentável/sustentabilidade”, na perspectiva do discurso, buscaremos as contribuições em Alice Krieg-Planque (2003 e 2007) e também em Guilhaumou (2009), explorando a categoria analítica de narrativa do acontecimento para refletir sobre como essa fórmula constrói distintos eventos discursivos.