Título
Emergência de novas áreas do conhecimento científico para a problemática socioambiental: o caso da Engenharia Ambiental e sua contribuição no contexto da região sul carbonífera catarinense
A internalização das questões ambientais pelas instituições de ensino superior remonta aos anos 60, a partir dos alertas de algumas áreas do conhecimento científico em relação aos desequilíbrios ecológicos causados pelas atividades humanas. Nas décadas de 70 e 80, a temática ambiental era tratada de forma departamentalizada pelos cursos tradicionais de graduação. E nos anos 90, houve uma verdadeira explosão de cursos universitários ligados ao meio ambiente, criados, sobretudo, nas regiões mais industrializadas do país e com diversas nominações. Na região sul carbonífera catarinense, onde os municípios constituem a Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), o curso de Engenharia Ambiental se insere no ano de 1999 em face de toda a problemática socioambiental derivada da atividade carbonífera e agravada pelos demais segmentos produtivos presentes na região. Nesse sentido, o presente trabalho problematiza a contribuição do profissional da engenharia ambiental no âmbito da região sul carbonífera catarinense, tendo em vista a existência do curso na cidade pólo da Amrec e as potencialidades de sua atuação para a melhoria da qualidade socioambiental regional. Quanto aos procedimentos metodológicos, trata-se de uma pesquisa qualitativa desenvolvida na forma de estudo de caso, cujo sujeito de pesquisa compreende o engenheiro ambiental formado entre os anos de 2004 e 2010 pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Para tanto, julgou-se pertinente a elaboração de dois instrumentos de coleta de dados: um questionário (primeira etapa) e um roteiro de entrevista estruturada (segunda etapa). A partir dos resultados obtidos na primeira etapa, chegou-se ao número de entrevistados: 24 engenheiros ambientais atuantes em um ou mais municípios da região. Verificou-se que 65% dos egressos formados estão atuando na área ambiental, alocados, principalmente, nos municípios de domínio da Amrec. Em relação às categorias de atuação, 38% dos engenheiros ambientais trabalham em empresas, 12% atuam como profissionais liberais, 7% exercem mais uma função no mercado de trabalho, 5% estão em órgãos públicos ambientais e 3% são empresários da área de meio ambiente. Os segmentos onde mais se encontram engenheiros ambientais na região são: mineração de carvão, prestação de serviços ambientais/consultoria ambiental, instituições de ensino/pesquisa e na indústria cerâmica. Relacionado às áreas de atuação, reafirmou-se o perfil generalista do engenheiro ambiental, visto que transitam igualmente por algumas áreas: tratamento e destino final de resíduos sólidos (16%), avaliação de impacto ambiental (14%), recursos hídricos e saneamento ambiental (14%), gerenciamento e planejamento ambiental (13%), recuperação de ambientes alterados (13%), processos educativos em engenharia ambiental (10%), saúde ambiental e segurança do trabalho (8%), controle e qualidade do ar (7%), energia, sociedade e meio ambiente (3%) e outras (2%). Constatou-se que o licenciamento ambiental, a gestão e a educação ambiental são as áreas através das quais os engenheiros ambientais mais têm contribuído para a melhoria da qualidade socioambiental da região. No que diz respeito às limitações, indiscutivelmente, a questão das atribuições profissionais é a maior preocupação do egresso, quando no mercado de trabalho no âmbito da região sul carbonífera catarinense.