Título
Alimentação indígena em Mato Grosso: Educação Ambiental e sustentabilidade entre etnias de estudantes da Faculdade Indígena Intercultural Gabrielle Balbo
As comunidades indígenas do Estado de Mato Grosso possuem grande importância sócio-cultural, contando atualmente com 42 etnias distribuídas pelo Estado, ricas em tradições e costumes. O objetivo do trabalho foi conhecer e problematizar os hábitos alimentares existentes em algumas comunidades indígenas do Estado de Mato Grosso. Esta pesquisa se justifica pela necessidade de conhecer os hábitos alimentares utilizados pelas comunidades indígenas e suas mudanças em consequência das alterações do ambiente e da sociedade. A pesquisa foi realizada nos anos de 2010 e 2011, com metodologia de caráter qualitativo, transitando entre a pesquisa documental, análise de dados obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas e livre, visitas em algumas aldeias, observação participante e registros fotográficos. O público alvo da pesquisa foram os alunos dos cursos de graduação e do curso de pós-graduação da Faculdade Indígena Intercultural. Foram realizadas 35 entrevistas, com universo de 18 etnias do Estado, sendo elas: Mebengokre, Xavante, Kayabi, Tapirapé, Terena, Apiaká, Aweti, Paresi, Bororo, Umutina, Bakairi, Chiquitano, Ikpeng, Kalapalo, Kuikuro, Nafukuá, Rikbaktsa e Zoró. As visitas ocorreram em duas aldeias, Aldeia Rio Verde no município de Tangará da Serra e Aldeia Umutina no município de Barra do Bugres, onde o público alvo foi o de mulheres e acima de 40 anos por entender que são elas as principais responsáveis pela produção do alimento. Através das entrevistas foi possível refletir sobre as mudanças culturais e o risco de ressignificação abruptas culturais e de identidade. A dissertação está organizada em quatro capítulos que abordam: as comunidades indígenas do Estado de Mato Grosso, a cosmologia indígena, onde uma riqueza de mitos sobre a origem dos alimentos, bem como restrições alimentares são abordadas, as transformações socioeconômicas, socioambientais e socioculturais, relacionadas com a alimentação, como inserção de alimentos industrializados na alimentação, lixo, merenda escolar, dentre outros, e a alimentação indígena agregada com o seu processo educacional, trazendo algumas propostas pedagógicas de educação ambiental para serem trabalhadas em ambiente escolar. Após reflexões entendemos a educação como um dos caminhos para que novas políticas públicas sejam criadas, propiciando assim o fortalecimento da cultura dos povos indígenas, particularmente no que se refere a manutenção dos mitos e hábitos alimentares tradicionais.