Título
Educação para sustentabilidade e a experiência docente em cursos de Administração
O contexto atual da educação superior em escolas de Administração tem sido marcado pela inserção do tema sustentabilidade na agenda de ensino. Entretanto, discutir sustentabilidade em cursos de Administração pressupõe uma revisão de modelos de negócios sustentados exclusivamente pela ideologia de maximização do lucro, na intenção de buscar equilíbrio com demandas e metas sócio-ambientais. Nesse sentido, o papel da educação para sustentabilidade em escolas de negócios tem por propósito fomentar a capacidade de futuros gestores de romper com uma gestão empresarial insustentável (SPRINGETT, 2005). Esta dissertação pretende dar sua contribuição, ao propor um estudo, que discute os significados atribuídos por docentes à tarefa de educar para a sustentabilidade em escolas de Administração, analisando de que forma tais significados se revelam em ações didático-pedagógicas na sala de aula. A intenção foi analisar como essas práticas de ensino espelham os pressupostos de uma educação que se propõe a engajar os alunos no discurso e na ação em prol da sustentabilidade. Para tanto, conduziu-se um estudo qualitativo interpretativo básico sobre a experiência de dezesseis docentes em seis instituições de ensino da cidade de São Paulo. A principal estratégia de construção de dados foram entrevistas em profundidade, complementadas com análise documental. O estudo contou ainda com a análise de documentos e de acordos internacionais para contextualizar a trajetória da educação para sustentabilidade. O referencial teórico se sustentou nas propostas de Loureiro (2009), Springett (2005) e Banerjee (2004) que discutem a temática a partir de uma perspectiva mais crítica. Para analisar o papel das instituições de ensino e a formação docente para sustentabilidade esta investigação se apoiou nas pesquisas de Sterling (2001) e Tozzoni-Reis (2001), bem como em Kearins e Springett (2003), Svoboda e Whalen (2004), Annandale e Morrison-Sounders (2004), Springett (2005), Collins e Kearins (2007) Gonçalves-Dias, Belloque, Herrera (2011),para discutir as experiências de sala de aula. Os resultados indicam o uso de estratégias didáticas variadas como: jogos, produção de documentário, casos de ensino, com a intenção de fazer os alunos avaliarem o comportamento das empresas, questioná-lo, ou mesmo simular a resolução de problemas relacionados com a gestão organizacional sustentável. Encontra-se, assim, práticas que suscitam a ideia de um ensino menos mecanicista e bem voltado para a capacidade de observação da realidade e tomada de decisão. Por outro lado, as experiências docentes variam em escopo e profundidade. Por vezes, as práticas docentes refletem preocupações de ordem mais instrumental, isto é, tentam, sobretudo, adaptar as discussões e modelos clássicos de gestão às exigências de uma conduta sustentável, até outras que tentam provocar no aluno reflexões sobre o papel da empresa na sociedade, instigando o aluno à posição de agente de mudança. Neste caso, o esforço maior repousa na tentativa de problematizar na sala de aula a forma convencional e insustentável com que se pensa os negócios, numa perspectiva menos adaptativa e mais de ruptura. Em suma, os resultados apresentados refletem o cenário típico de um período de transição em que vivemos, no qual sustentabilidade passa a ser tema relevante, na academia, na empresa, na mídia, no governo, mas ainda é objeto de desconfiança, descrédito, ou objeto de medidas paliativas e pontuais. Ações educativas que passam a discutir os pressupostos que há anos reproduzem insustentabilidade estão em curso, mas precisam ainda avançar e se multiplicar.