Título
A educação ambiental no ensino fundamental do Colégio de Aplicação Codap: concepções e práticas
A Educação Ambiental (EA) teve sua gênese nos movimentos ambientalistas. Ganhou visibilidade no Brasil na década de 1980 e, intensificou-se como processo educativo na década de 1990, abrindo espaços para a construção de conhecimentos e para a articulação de saberes, possibilitando a formação de indivíduos que fossem partícipes na construção de uma sociedade sustentável, socialmente justa e ecologicamente equilibrada. Desse modo, a presente dissertação tem como objetivo geral compreender como a EA está presente nas concepções e práticas dos docentes do ensino fundamental do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe (Codap). A pesquisa é de abordagem qualitativa, com inspiração fenomenológica. Para a coleta dos dados foram compilados documentos que tratam da inserção da EA no ensino formal e também foi utilizada a entrevista semiestruturada com oito docentes do ensino fundamental do Codap previamente selecionados. Constatou-se que dos oito entrevistados, cinco possuem uma concepção de meio ambiente naturalista e/ou antropocêntrica concebendo a EA num viés preservacionista e/ou conservacionista e três entendem o meio ambiente como complexo, percebendo a EA de maneira crítica. O projeto político pedagógico elaborado em 1994/1995 contempla a EA nas ementas das disciplinas de maneira não explícita, porém, não existe no projeto um espaço maior para a EA. Concluiu-se, que as concepções que os docentes possuem de meio ambiente e EA fundamentam suas práticas. Desse modo, comprovou-se que a concepção naturalista de meio ambiente e preservacionista de EA, bem como, a antropocêntrica de meio ambiente e conservacionista de EA, motivou atividades pontuais e isoladas, promovendo um saber acrítico. Já as práticas realizadas de maneira crítica e contextualizada balizaram-se num entendimento que vê o meio ambiente como complexo e EA numa concepção crítica. Por seu caráter político e interdisciplinar, a EA pode contribuir para potencializar ações transformadoras. Contudo, constatou-se a dificuldade de sua incorporação na prática docente.