Título
Orixás e (meio) ambiente: a feitura de confetos no terreiro da sociopoética
Este trabalho tem como proposta principal interligar Educação Ambiental e os referenciais afro-brasileiros através dos arquétipos e itan (mitos, histórias e canções) dos orixás de forma transversalizada. Intenciono saber que (novos) conceitos relacionados ao meio ambiente são produzidos pelo grupo pesquisador quando faço referência aos orixás. Para tanto recorri ao método de pesquisa coletiva denominado sociopoética, pois neste território se abrem possibilidades de produzir (novos) conceitos acerca de um tema gerador mediante múltiplas linguagens corporais e simbólicas desenvolvidas durantes oficinas de produção de dados. O grupo convidado para fazer comigo esta pesquisa foi constituído por estudantes universitários juntamente com professores/as da rede pública. Durante o trabalho, mais especificamente nas oficinas sociopoéticas, – utilizei algumas vezes o termo ambiente em vez de meio ambiente. Fiz o uso também de forma recorrente nas oficinas de pesquisa da metáfora da cidade para fazer referência ao meio ambiente. A idéia consistiu em fugir das naturalizações conceituais, assim como houve o desejo de estimular a criatividade do grupo, visto que buscamos achar o diferente, evitando assim, que se ficasse apenas na repetição dos conceitos já instituídos como sugere a pesquisa sociopoética. Dei uma atenção especial ao orixá Exu, visto que este é o mais “polêmico” dos orixás. Exu é o mais humano dos orixás, além de existir nele um potencial pedagógico gerador de uma multiplicidade de conceitos. Isto apareceu nos resultados da pesquisa quando tratamos da relação Exu e o meio ambiente. Quanto aos outros orixás a produção de novos conceitos foi menos visível, entretanto foram feitas relações importantes com o tema gerador. Trata-se aqui de valorizar a matriz afro-brasileira como referência fundamental para se pensar e vivenciar uma educação ambiental culturalmente diferenciada. Acredito que esta produção é somente um pingo d’água no oceano da construção do saber ambiental com bases em saberes ancestrais.