Título
A inserção da dimensão socioambiental na formação inicial de educadores
A educação ambiental (EA) nasce da sensibilidade de aliar conhecimento científico, tecnológico, artístico e cultural a uma nova consciência de valores, de respeito aos seres humanos e aos recursos naturais, com perspectivas de ajudar a formar uma mentalidade impulsionadora da construção de um novo paradigma emancipador. Partindo dessas assertivas, nesta pesquisa, discute-se a importância da participação e da formação para a cidadania em sintonia com a EA crítica, como ferramentas de mudança da sociedade antidemocrática subversiva ao capital financeiro. Destaca-se a importância de uma abordagem ambientalista e pedagógica emancipatória, voltada para o exercício da cidadania na problematização e na transformação das condições de vida e na ressignificação da inserção do ser humano no ambiente, superando a dicotomia dominante. Assim, com o objetivo de refletir e apontar caminhos de consolidação da EA crítica, a partir do viés participativo contra-hegemônico, investigaram-se as concepções de EA, participação e cidadania, de dois grupos de educadores da Baixada Fluminense, os quais haviam passado pelos seguintes processos formativos: "Educação ambiental e Agenda 21 escolar: formando elos de cidadania a distancia"; e "Educação ambiental crítica para a Baixada Fluminense: a ecologia política dos recursos hídricos". Para tanto, foram aplicados questionários no início da pesquisa para os professores-cursistas e, posteriormente, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas tanto com esses professores quanto com seus respectivos responsáveis pedagógicos. Em seguida, a partir da necessidade de retratar, com a maior concretude possível, a prática pedagógica dos professores-cursistas, foram realizadas observações de suas práticas. Para subsidiar a análise dos dados coletados, partiu-se de um estudo teórico não só do campo ambiental, mas também das discussões sobre participação e cidadania, temas estes fundados na teoria crítica, em sua perspectiva histórico-dialética. Na análise, que utilizou metodologicamente adaptações da análise textual discursiva, das falas dos educadores, responsáveis pedagógicos e professores-cursistas, foi possível perceber, hegemonicamente, concepções e práticas inebriadas por visões ideologizadas de mundo. A pequena parcela que, ao contrário, avançou para a tendência crítica de EA em seus discursos, ainda, apresenta práticas que se encontram presas à amálgama homogeneizante. Acredita-se que, para formar educadores ambientais e, sobretudo, para obter práticas pedagógicas que vislumbrem a transformação do padrão societário vigente, em um movimento contra-hegemônico participativo, é fundamental romper com perspectivas participativas cooptadas e tornar as discussões sobre cidadania plena mais presentes nos processos formativos. Desse modo, enfim, será possível instrumentalizar uma práxis-pedagógica que valorize e esteja engajada na formação do cidadão-reflexivo, ativo e participativo, sobretudo no processo educativo ambiental.