Título
Por uma genealogia em que a educação ambiental é potência na formação dos membros de comitês de bacias hidrográficas
Cabe aos comitês de bacias hidrográficas, conforme disposto nas Políticas Nacional e Estadual de Recursos Hídricos, a gestão dos recursos hídricos na área de abrangência da bacia. Para tanto, a Lei definiu também os principais instrumentos necessários à materialização dessa gestão, a saber: os planos de recursos hídricos, o enquadramento, a cobrança, a outorga e o sistema de informações. Formado por igual número de representantes dos segmentos da sociedade civil organizada, poder executivo e usuários, o comitê é eleito para um mandato que pode variar de dois a quatro anos no estado do Espírito Santo, e atua num ambiente de grande complexidade, uma vez que os instrumentos não estão consolidados. O comitê, enquanto uma comunidade necessita de que saberes para dar conta dessa gestão? Que saberes seus membros trazem para esse espaço de gestão compartilhada e participativa? A pesquisa realizada com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Guandu, por meio da participação na dinâmica do comitê, de uma conversa com seus membros e da análise documental, procurou a composição de um mapa, em que a cartografia considera o devir e o tempo presente, num platô de pura imanência. A partir de uma compreensão do conhecimento como genealogia, conforme proposto por Foucault, se sugere “o acoplamento dos conhecimentos eruditos e das memórias locais, acoplamento que permite a constituição de um saber de lutas e a utilização desse saber nas táticas atuais”. Desta forma, a Educação Ambiental é potência para a formação desse “parlamento das águas”, uma vez que defende “a valorização dos saberes locais, descontínuos, desqualificados, não legitimados, como saberes tão legítimos – e em construção – quanto o saber científico”, conforme aponta Tristão.