Título
Tornar-se autor ambiental: tessitura de saberes e ecopráxis no movimento Pró-Parque Lagoa de Itaperaoba, em Fortaleza
A discussão central neste estudo é a tessitura de saberes ambientais no cotidiano de grupos populares e sua corporificação pelos autores sociais, a ecopráxis. Portanto o objetivo geral é compreender a relação entre os saberes ambientais em tessitura no Movimento Pró-parque Lagoa de Itaperaoba e a formação de autores populares ambientais. Os referenciais teóricos fundamentais são Marques (2006); Figueiredo (2007); Brandão (2005) e Freire (2005), propiciando a valorização do diálogo entre saberes e a relação de unicidade entre objetividade e subjetividade da vida humana. Toma por suporte a Educação Ambiental Dialógica (FIGUEIREDO, 2008) na tematização da constituição, vivência e corporificação de saberes no cotidiano popular, nos moldes da pesquisa intervenção dialógica, enquanto forma mais instigante do estar em campo e da vivência de uma relação em que pesquisadores e colaboradores se enriquecem com os aprendizados no processo do conhecimento. A pesquisa foi realizada com participantes do Movimento Pró-parque Lagoa de Itaperaoba, localizado no bairro Serrinha, em Fortaleza. Trata-se de uma pesquisa essencialmente qualitativa (MINAYO, 2002), alicerçada na interação intensa com os colaboradores através da observação participante (oliveira, 1999). A abordagem metodológica condensa dimensões investigativas e formativas, na elaboração de saberes parceiros, propiciado pelas interfaces entre a Perspectiva Ecorrelacional (FIGUEIREDO, 2007) e a abordagem das histórias de vida em formação (JOSSO, 2010; PINEAU, 2008), que propiciou o círculo ecobiográfico (FERREIRA, 2011) com adaptações ao propósito da pesquisa e dinâmica do grupo colaborador. As narrativas ecobiográficas são enfatizadas em sua interseção com o grupo popular, para perceber a corporificação ou não de saberes. As reflexões possibilitadas por este trabalho de pesquisa indicam que a educação ambiental junto a grupos populares pode ser potencializada se considerar os saberes já existentes nesses contextos. Nesse sentido, elementos formadores, sejam dos(as) autores(as) sociais individualmente ou aqueles que se dão a partir de sua articulação em coletivos, devem ser considerados como suporte para a emergência e fortalecimento de saberes ambientais, os quais estão inter-relacionados às problemáticas sociais vivenciadas nas comunidades. Fortalece o reconhecimento da interdependência da subjetividade (no sentido da identificação e reconhecimento dos saberes pelos autores sociais) com a objetividade (expressão, objetivação deste saber em atitudes e ações conscientes) da vida cotidiana.