Título
Análise econômica e energética de sistema agroflorestal para implantação na Terra Indígena Araribá - município de Avaí/SP
O presente trabalho trata da avaliação econômica sob condições de risco e da análise do balanço de energia de um sistema agroflorestal (SAF), planejado para ser instalado na Terra Indígena Araribá - município de Avaí - SP, onde vivem duas comunidades indígenas, uma pertencente à etnia Guarani e outra à etnia Terena. As comunidades da Terra Indígena Araribá encontram-se vivendo um avançado processo de desestruturação sociocultural e enfrentando grandes dificuldades econômico-financeiras. A Reserva sofre ainda com os graves impactos causados ao meio ambiente, prejudicando significativamente a reprodução do modo de vida destas comunidades. Esta situação levou os técnicos da Funai a procurar soluções para os problemas que se apresentaram, iniciando-se então um amplo processo de discussão e articulação de profissionais especializados em diversas áreas do conhecimento científico e cultural, culminando com a elaboração de um projeto de Educação Ambiental. Este projeto prevê o planejamento e execução de diversas intervenções nas comunidades, sendo um dos objetivos avaliar e propor sistemas agrossilviculturais para serem implantados na reserva. Neste sentido, planejou-se na presente pesquisa um sistema agroflorestal para produção de borracha, três variedades de palmito, feijão e milho, que possa atender, ao menos parcialmente, as necessidades de consumo da comunidade, além de incrementar a renda mediante a comercialização dos excedentes. Os indicadores econômicos utilizados foram: Valor atual líquido (VAL), taxa interna de retorno (TIR), relação benefício-custo (RBC), payback simples (PBS) e payback econômico (PBE). Empregou-se também o software ALEAXPRJ, especialmente desenvolvido para realizar simulações de projetos de investimentos sob condições de risco. As simulações foram realizadas para quatro cenários econômicos: A - sem financiamento e com a inclusão do subsídio do coágulo; B - com financiamento no primeiro ano e com a inclusão do subsídio do coágulo; C - com financiamento nos seis primeiros anos e com a inclusão do subsídio do coágulo; e, D - sem financiamento e sem a inclusão do subsídio do coágulo. Os cenários A e B apresentaram TIR média de 6,2 % e o cenário C TIR média de 6,0 %, todos com alta probabilidade de ocorrência deste fenômeno, enquanto que o cenário D mostrou-se completamente inviável do ponto de vista econômico, com TIR média de 0 % em todas as simulações realizadas. Já a análise energética do sistema foi realizada para dois cenários diferentes, sendo o primeiro como de início, tecnicamente proposto (cenário E - com utilização de ureia), e um segundo cenário com substituição da ureia por biofertilizante (cenário F) foram utilizados os índices de energia final aproveitável (EFA) / energia injetada na agricultura (EIA), saldo energético EFA/EIA, e a composição percentual dos tipos de energia injetada na agricultura (energia biológica, energia fóssil e energia industrial). O resultado médio da relação EFA/EIA para o cenário E foi de 1,137 e, para o cenário F 1,132, ambos com 100 % de probabilidade da energia produzida ser superior à energia injetada. Portanto, verificou-se que a substituição da fonte de energia, não garante o aumento da eficiência energética, sendo necessárias outras alterações no manejo. Entretanto a substituição da ureia por biofertilizante possibilitou reduzir o uso de energia fóssil em mais de 50%, melhorando, nesse aspecto, a sustentabilidade do sistema a longo prazo.