Título

O Parque Estadual do Rio Doce/MG e a qualidade de vida da população de seu entorno

Programa Pós-graduação
Economia Doméstica
Nome do(a) autor(a)
Deyse Lílian de Moura Melo
Nome do(a) orientador(a)
Maria das Dores Saraiva de Loreto
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2001
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa institucional que trata das relações entre população e meio ambiente. O problema da presente pesquisa consiste em avaliar de que forma uma intervenção governamental e sua gestão podem interferir no modo de vida da população local. O local do estudo compreendeu as zonas ao redor das áreas remanescentes de Mata Atlântica, existente no Estado de Minas Gerais, especificamente a população do entorno do Parque Estadual do Rio Doce - Perd, pertencente ao Município de Marliéria/MG. O universo da pesquisa envolveu um conjunto de produtores que residem na divisa direta com o Perd e em suas áreas circundantes. Para a obtenção de uma visão global da realidade foram utilizados diferentes métodos de coleta de dados, provenientes de fontes secundárias e primárias. Além disso, procurou-se combinar métodos de natureza qualitativa e quantitativa; tendo como referencial teórico a abordagem ecossistêmica. A dinâmica do desenvolvimento do macroambiente, especificamente nas áreas do entorno do Perd, carateriza-se por uma situação histórica de estagnação, em termos de reprodução simples ou de subsistência da atividade agropecuária e, inclusive, de decadência socioeconômica da sua população, que apresentou uma redução em sua taxa média de crescimento; com carência em termos de infraestruturas básicas, sócio-institucionais e organizacionais. Os produtores, principalmente do sexo masculino, casados, com mais de 60 anos, possuíam baixo nível de escolaridade e alta experiência na atividade agropecuária, que era compartilhada com outro membro da família, em sua maioria, do tipo nuclear e na fase de dispersão do ciclo de vida. Quanto aos seus sistemas de produção local, o microambiente manteve um perfil econômico rural de baixo nível tecnológico e rendimentos; com fortalecimento da pecuária leiteira extensiva, calcada na posse da terra, no uso intensivo da mão de obra familiar e com baixo nível de capitalização. Considera-se, que esse comportamento cíclico do sistema de produção não se deu por interferência direta da implantação do Perd, mas bem por políticas de controle do desmatamento e pelas condições do mercado, quando as siderúrgicas optaram pelo coque importado, em detrimento do carvão vegetal, com redução das suas atividades. Os resultados indicaram que a forma usual de produção dos agricultores familiares do entorno do Perd não proporcionou, em termos gerais, capacidade real de pagamento suficiente para remunerar todos os fatores e para reinvestir no aumento da produtividade dos recursos naturais e humanos; com efeitos sobre a sustentabilidade técnico-econômica e social destes sistemas produtivos. Assim, mesmo que os resultados tenham mostrado a ocorrência de mudanças relevantes, tanto no micro como no macroambiente em estudo, na percepção dos produtores a implantação do Parque Estadual do Rio Doce (Perd) pouco ou nada influenciou nessas transformações, principalmente no que se referiu às suas expectativas em termos de uma melhor qualidade de vida; ainda que, no que tange à preservação da natureza, a contribuição do parque tenha sido considerada de importância fundamental. Entretanto, em função dos conhecimentos e das percepções da população do entorno, conclui-se que, apesar do Perd ser considerado um centro de referência nacional, em termos de suas infraestruturas de apoio ao turismo, pesquisa e educação ambiental, o mesmo não possui uma relação simétrica com os agricultores familiares locais, por focalizar a educação coercitiva, não contemplar a ecologia humana, privilegiar a preservação da biodiversidade biológica e não atender a um dos objetivos da Lei do Snuc-2000, que é o de propiciar o desenvolvimento rural, com garantia de subsistência das populações tradicionais locais, integrando-as à unidade de preservação.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
10/05/2014