Título
Periferia: entre a linha e a represa - lutas e alegrias da população
Analisa uma proposta alternativa de ensino para as séries iniciais do ensino fundamental. No projeto “Periferia - entre a linha e a represa - lutas e alegrias da população", desenvolvido na Escola Municipal de Primeiro Grau “Paulo Setúbal" com alunos das 4ª séries do 1º grau. Repensou-se as práticas escolares considerando quatro questões: 1) por que a escola, apesar dos avanços e recursos que a sociedade industrial oferece, continua ainda a fazer uso, quase que exclusivamente, do giz, da lousa e do livro didático?; 2) o que é possível fazer para que a escola se articule à dinâmica do seu entorno, rompendo o seu isolamento?; 3) frente à degradação ambiental da região, que é de preservação de mananciais, mas que ocorre sérios riscos de perda dessas águas para fins de abastecimento, o que é que as escolas localizadas nesta região podem fazer?; 4) como o uso do vídeo poderia contribuir para a dinamização do trabalho escolar e para o registro do conhecimento? Busca contribuir com reflexões sobre o currículo interativo ou real, explicitando as ações que ocorrem em sala de aula através da contribuição de sugestões dos próprios alunos, pais, colegas, estagiários e da equipe que assessorava o projeto, além da prática do pesquisador. Divide o trabalho em 3 níveis: execução do projeto, pesquisa bibliográfica que o fundamentasse e contribuísse para o esclarecimento das perguntas iniciais e pesquisa de campo, sendo essa última compartilhada com alunos e pessoas ligadas ao Projeto Educação Ambiental do Laboratório de Ensino e Pesquisa de Ciências Humanas da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Constata que, se a escola pública atende a grande maioria dos filhos de trabalhadores, é necessário desenvolver trabalhos alternativos que resgatem o conhecimento adquirido na luta cotidiana, valorizando-o, registrando-o e integrando-o ao currículo escolar, como ponto de partida para um conhecimento mais profundo e sistematizado. Assim, a cultura escolar produzida não se limitaria a aspectos do conhecimento produzido externamente e sistematizando esse registro produzido, deverá estar à disposição da comunidade como uma retribuição por tudo que a escola tem recebido.