Título

Redução da contaminação mercurial em áreas de garimpo de ouro: desenvolvimento de uma alternativa tecnológica

Programa Pós-graduação
Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos
Nome do(a) autor(a)
Paulo Lucas Cota
Nome do(a) orientador(a)
Celso de Oliveira Loureiro
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
1997
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A atividade garimpeira de ouro no Brasil, principalmente na região amazônica, envolve milhares de pessoas, utiliza técnicas rudimentares e emprega o mercúrio em larga escala. Da forma como vem sendo empregado, o mercúrio destaca-se entre os mais sérios e danosos problemas gerados por essa atividade. A contaminação mercurial nas áreas garimpeiras é uma herança injusta para as futuras gerações, além de, em curto prazo, apresentar riscos potenciais de intoxicação das pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, nesta atividade. Dependendo das condições específicas de cada garimpo, perde-se para o meio ambiente de 1,0 a 1,5 kg de Hg na produção de 1,0 kg de Au (PFEIFFER & LACERDA, 1988). Para se ter uma idéia de magnitude dessa perda, somente em 1990, segundo o Departamento Nacional da Produção Mineral - Dnpm, os garimpos brasileiros produziram cerca de 70 t de ouro, significando um descarte de cerca de 90 t de Hg no ambiente, principalmente da região amazônica. A etapa do processo de extração de ouro no garimpo, considerada como a mais crítica sob o ponto de vista do descarte de mercúrio no ambiente é, sem dúvida, a queima do amálgama Au-Hg. Esta etapa é realizada, normalmente, em sistemas abertos ao ar livre, ocasionando a emissão de vapores tóxicos para a atmosfera, resultando assim, em uma forte agressão à saúde das pessoas e ao ambiente. A forma adequada de realizar a "queima" de amálgama Au-Hg é através do uso de destiladores de Hg, denominados "retortas". Uma retorta, em sua concepção mais simples, é composta por um cadinho/tampa (onde o amálgama é aquecido) e um tubo condensador (onde os vapores de Hg se condensam) acoplado à tampa. Estes dispositivos são em geral de ferro ou aço e, apesar de sua aparente simplicidade, poucos são os equipamentos deste tipo usados nos garimpos. Além disso, raros são aqueles adequados e qualificados para realizarem esta operação. Segundo o Dnpm, 1993, nos estados onde existem garimpos de ouro, praticamente não há utilização de retortas na realização da etapa de queima de amálgama Au-Hg. Este fato é devido, principalmente, à falta de equipamento adequado para esta finalidade e à falta de conscientização dos garimpeiros quanto aos malefícios causados pelo mercúrio, quando empregado incorretamente. A fim de suprir a presente demanda, foi desenvolvido um sistema de destilação de mercúrio denominado retorta "Ourolimpo" (R). Os resultados obtidos de eficiência média de destilação de Hg (97,7%) e de eficiência média de retenção de Hg (99,5%), para um tempo médio de operação de 13 minutos, aliados a outros fatores tais como, facilidade de manuseio e transporte (pequena, leve e desmontável) e baixo custo de fabricação (cerca de R$74,00 a unidade, se fabricada em série), conferem à retorta Ourolimpo (R) a aplicabilidade técnica adequada para uso nos garimpos, como destilador de mercúrio contido em amálgamas. Esta nova tecnologia foi introduzida na área garimpeira de Monsenhor Horta, Mariana - MG concomitantemente com a realização de trabalhos de educação e conscientização ambiental e sanitária dos membros desta comunidade. Esta área garimpeira, devido à sua proximidade de Belo Horizonte e aos seus garimpos peculiares localizados, em sua maioria, dentro do perímetro urbano, foi escolhida para a realização de um importante projeto de pesquisa. Este projeto, que tem como objetivo principal conhecer o real impacto do mercúrio na saúde e no meio ambiente, é coordenado pela Fundação Estadual de Meio Ambiente - Feam e tem como participantes: o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear - Cdtn, a Secretaria de Estado da Saúde - SES e a Fundação Ezequiel Dias - Funed. A implantação de retortas junto com os trabalhos de educação da comunidade realizados na região, causaram de imediato dois impactos positivos: o primeiro, diz respeito à redução na quantidade total de mercúrio utilizada nas atividades de garimpo na região, devido à diminuição de sua compra pelos garimpeiros; e , o segundo, se refere à conscientização da comunidade quanto aos riscos e malefícios inerentes a esta atividade, devidos, principalmente, ao uso do mercúrio. Porém, somente a partir de novembro de 1997, com a realização de nova campanha de monitoração de pessoas, solo, sedimentos e água da região, prevista no projeto em questão, é que se poderá inferir sobre o verdadeiro impacto causado na região, em decorrência das ações realizadas na mesma.


Palavras-chave
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Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
10/05/2014