Título
Percepções sobre os saberes ecológicos das comunidades indígenas do Brasil: olhares da Antropologia Ambiental
Não resta dúvida de que os traços culturais, a organização socioeconômica e os valores espirituais de uma comunidade, influenciam as relações desta com seu meio ambiente. A sobrevivência da humanidade depende fundamentalmente do manejo correto dos recursos naturais, sendo necessário que as comunidades respeitem, protejam e conservem os seus respectivos ecossistemas. No caso dos índios brasileiros, com sua vasta herança cultural, estes detêm maneiras peculiares de manejo dos recursos naturais. Reflexões norteadas pela Antropologia Ecológica, sobre as relações dos povos indígenas com seu meio ambiente, podem revelar-nos uma valiosa sabedoria ambiental e, que representa um importante legado às chamadas “sociedades civilizadas”, nos seus projetos de ecodesenvolvimento e, por que não dizer de sobrevivência. As “sociedades primitivas” pesquisadas pela Antropologia Ecológica revelam criativas adaptações à natureza e que não podem ser desprezadas pelo mundo moderno. Na sociodiversidade, produto das peculiares formas existenciais que cada grupo humano desvela ao interagir com seu ecossistema, está a possibilidade de regeneração do planeta Terra. No Brasil, em nome de um pseudo processo civilizatório, rodovias pioneiras invadiram o “éden“ indígena, desorganizando nações e ecossistemas, provocando nefastas consequências em cadeia, que certamente serão sentidas, dolorosamente, à distância, no espaço e no tempo. O saber ecológico das comunidades indígenas do Brasil engendrou soluções próprias à satisfação das necessidades das tribos. A criatividade das comunidades indígenas desenvolvidas em ecléticas paisagens geográficas lhes permitiu dominar mecanismos de reprodução de vegetais, de animais e a utilização de meios adequados à preservação dos mesmos. E, graças ao legado cultural indígena, vivo até hoje, milhões de brasileiros interioranos têm sua sobrevivência facilitada. O índio brasileiro legou contribuições efetivas à cultura nacional. É preciso inventariar o saber indígena, principalmente, no que se refere à adaptação ao seu ecossistema, considerando-se que são muitas as lições que a cultura nativa têm a dar ao Brasil de hoje. Enfim, a Antropologia Ecológica deve comprometer-se com a defesa do espaço vital das civilizações indígenas do Brasil e, ao fazê-lo, pode garantir a continuidade da espécie humana.