Título
Inventário das plantas medicinais usadas em Serra Grande - Uruçuca - Bahia: uma abordagem etnobotânica
O Brasil ocupa posição de destaque dentre os dezessete países ricos em biodiversidade. Esse altíssimo grau de biodiversidade é em função da vasta extensão do território brasileiro, com maior cobertura contínua de florestas tropicais em todo o mundo, representado particularmente pela Amazônia. Essa riqueza biológica possui valores para o homem que vão desde o uso caseiro de produtos alimentares, medicinais, de construção e para confecção de diversos artefatos, até aqueles geradores de renda em nível local e regional. O Brasil tem experimentado, com aceleração crescente nas últimas décadas, um processo significativo de degradação dos seus ecossistemas naturais com visível impacto sobre a sua diversidade biológica. O bioma da Mata Atlântica foi reduzido a pequenos fragmentos de floresta. Propostas são necessárias, que enfoquem os problemas de conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável, Educação Ambiental e implantação de hortas comunitárias, como modelos de unidade de conservação, incluindo populações humanas, recuperação de áreas degradadas com plantio de árvores frutíferas, conservação com valores e comportamento sociais e culturais. No sul da Bahia, em Serra Grande, o uso de plantas medicinais constitui um hábito milenar. O seu uso na região em estudo é bastante difundido. Este estudo foi baseado em entrevistas junto às populações tradicionais que possuem o conhecimento e uso de plantas da floresta da Mata Atlântica. O conhecimento e a utilização de plantas medicinais pelos moradores da localidade foram obtidos em dois momentos: o primeiro em 1998 e o segundo em 2000. Nesse período foram realizadas um universo de 20 entrevistas e reunidas informações botânicas de 45 famílias em 96 etnoespécies, num total de 475 espécimes coletadas. Dessas 96 etnoespécies coletadas foram obtidas uma média de 120 receitas caseiras popularmente usadas na cura de doenças. Isso demonstra que há uma maximização do potencial e das possibilidades terapêuticas das plantas medicinais indicadas. As partes mais indicadas para o preparo dos medicamentos foram folhas, frutos e raízes. Os dados foram coletados por meio de entrevistas livres, questionários e acompanhamento direto de erveiros nas matas e fundos de quintais. Os moradores entrevistados foram abordados em quatro aspectos: levantamento da flora, prática fitoterápica, indicações terapêuticas e aspectos econômicos. As plantas de importância medicinal foram catalogadas, identificadas e depositadas no herbário da Ceplac/Cepec e UESC. Os dados coletados quando comparados a outros estudos no Brasil e no mundo indicam o elevado conhecimento etnobotânico regional. As propriedades da maioria das plantas medicinais utilizadas ainda são pouco conhecidas e uma quantidade maior de estudos é necessária para constatá-las.