Título
Meio ambiente e Educação Ambiental: as percepções dos docentes do curso de Geografia da PUC Minas - unidade Coração Eucarístico
A relação dicotômica entre homem-natureza, cultura-natureza, na sociedade ocidental construiu historicamente percepções, valores e atitudes em relação ao ambiente que engendraram a crise ambiental atual. O meio ambiente (MA), somente visto pelo homem ocidental como forma produtiva e fonte inesgotável de riqueza, serviu de base para o progresso e desenvolvimento ilimitado da civilização ocidental e do modelo de razão instrumental no mundo, à luz dos princípios e pressupostos da ciência moderna e do movimento filosófico iluminista. Em decorrência disso, a Educação Ambiental (EA) surge, a partir da segunda metade do século XX, como uma alternativa para se desenvolver percepções, valores e ações, com vistas a engendrar um outro imaginário cultural e alcançar novas formas de vida mais justas, solidárias e éticas. Os estudos de percepção ambiental fornecem um significativo entendimento das interações, sentidos, sentimentos, hábitos e valores que as pessoas estabelecem com o MA, assim como oferecem subsídios para a elaboração de projetos e execução de atividades no campo da EA. Sendo assim, esse trabalho procurou conhecer, no 1º semestre de 2008, os conceitos de MA e de EA de 20 docentes efetivos do curso de Geografia da PUC Minas unidade Coração Eucarístico. Essa foi uma pesquisa qualitativa, na linha fenomenológica, na qual os dados quantitativos colhidos através de questionários e entrevistas estruturadas foram submetidos à análise qualitativa, inclusive recorrendo, nas reflexões, de alguns dados a análise do discurso, o que proporcionou melhor conhecimento sobre as percepções dos atores da pesquisa. Identificou-se que a maioria dos docentes possui percepções sistêmicas de MA e emancipatória de EA, porém sob quatro ressalvas: há no universo de estudo, mesmo que em número quantitativamente reduzido, professores que veem o MA e a EA de maneira antropocêntrica e naturalista, o que se liga diretamente à um fazer pedagógico ambientalmente conservador; ao se fazer análises comparativas das percepções de um mesmo entrevistado, em diferentes questões, contatou-se algumas contradições com nove sujeitos; não se pode afirmar, na presente pesquisa, que as ações práticas diárias dos docentes condizem com as relatadas noções sistêmicas de MA e emancipatória de EA; e por último, salienta-se que, por mais que existam percepções de MA e de EA comuns entre indivíduos e coletividades por estarem inseridas, por exemplo, em um mesmo contexto sociocultural e/ou paradigmático, as mesmas são também individuais e singulares fundadas nas suas experiências vividas, segundo as quais, no caso em questão, foram conhecidas por meio de diversas subcategorias ao longo de várias questões da entrevista. Sugeriu-se a todos os 20 docentes, mais especialmente a esses nove, que se permitam incessantemente enquanto sistemas vivos inacabados e abertos a profundas reflexões e ressignificações de ordem paradigmática nos seus próprios modos de pensar e agir no mundo. A superação da crise ambiental atual e a construção da sociedade sustentável perpassam por uma EA emancipatória, por uma ciência flexível e ética, assim como por um novo ser e fazer que consistentemente reconheçam o valor intrínseco e inalienável de todos os elementos que compõem o cosmos, a vida.