Título
Representação social de manguezal entre professores do ensino fundamental de Bragança - Pará
O estudo representação social de manguezal entre professores do ensino fundamental de Bragança-Pará teve por objetivos identificar as representações sociais de manguezal, elaboradas pelos professores como forma de compreender a sua rede de informações com o meio ambiente, analisar fontes icônicas de veiculação de informações sobre manguezal e caracterizar a abordagem didático-pedagógica utilizada pelo professor no desenvolvimento dos temas manguezal e meio ambiente em meio escolar. O estudo foi desenvolvido com uma amostra de 94 professores, escolhidos aleatoriamente a partir de uma amostragem estratificada, considerando a área de localização de escola e o nível de ensino em que o professor atua. A metodologia, caracterizada por uma abordagem qualitativa e quantitativa, teve como técnicas de coleta de dados a entrevista por meio de questionário, a associação de ideias a partir da palavra indutora manguezal e a construção de um corpus de pinturas de meio ambiente e manguezal, a partir de fotografias de muros e painéis existentes no município. A análise dos principais resultados mostrou que os conteúdos da representação social de manguezal foram simbolizados com os seguintes sentidos: 1) ambiente com características específicas, constituído por animais e vegetais típicos que vivem em um substrato formado por lama e sujeito ao regime de marés, servindo de ambiente de desova e de criação (berçário) para muitas comunidades animais, que deve ser preservado e; 2) área provedora de recursos alimentares para a população humana, sobretudo do caranguejo. As atitudes favoráveis citadas consistiram de intervenções educativas por meio de encontros, palestras, cursos e feiras culturais. Quanto à estrutura da representação foram identificadas sete categorias que refletiram a objetivação e a ancoragem da representação: 1) manguezal como território de recursos; 2) manguezal como paisagem; 3) manguezal como reserva; 4) manguezal como ambiente com características próprias; 5) manguezal como problema; 6) manguezal como lugar de vida de espécies e 7) manguezal como locus cultural. A maioria das pinturas registradas no corpus icônico (81,48%) apresentou o meio ambiente estereotipado na paisagem natural mais geral em comparação com as que representaram o ambiente particularizado (18,52%), em que foi incluído o ecossistema manguezal. Entre as abordagens didático-pedagógicas sobre o tema manguezal, verificou-se o foco central em conteúdos relacionados aos aspectos de preservação e conservação ambiental e aos elementos relacionados à fauna e à flora. As principais fontes para a obtenção desses conteúdos foram a Universidade Federal do Pará e os livros didáticos e paradidáticos; a aula expositiva foi o procedimento didático mais citado no desenvolvimento dos conteúdos. Sobre as práticas em Educação Ambiental houve três tipos de formulações: 1) aspectos mais gerais da preservação, conservação, conscientização sobre o meio ambiente (rios, mangue, animais); 2) aspectos mais específicos da realidade local, envolvendo a importância, a valorização e a destruição do manguezal e; 3) aspectos metodológicos relacionados ao trabalho do professor quanto à conscientização e sensibilização das pessoas e de preservação e conservação do meio ambiente. A compreensão das construções sociais que os professores fazem do ecossistema manguezal e a gestão pedagógica dessas construções em meio escolar impõem-se como etapa básica para a proposição de novas dimensões educativas na escola, visando a (re)orientar o pensamento e as ações docentes diante do desafio de construir uma nova forma de interpretação das relações no plano pessoal, social e a ambiental.