Título

Educação Ambiental formal e não-formal na bacia hidrográfica do rio Marinho (ES): parceria Estado, empresa e sociedade civil

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Tania Mello de Souza
Nome do(a) orientador(a)
Victor de Araujo Novicki
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2005
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

Esta investigação objetiva analisar o projeto meu ambiente de Educação Ambiental (EA), desenvolvido por um consórcio nascido da parceria entre Estado, empresariado e sociedade civil, que visa à formação de professores do ensino fundamental e a “conscientização ambiental” de comunidades residentes na bacia do rio Marinho. Na análise das atividades de EA desenvolvidas no âmbito do Projeto Meu Ambiente (PMA), adotamos, como parâmetros de análise, conceitos de autores que defendem uma mudança no paradigma de desenvolvimento, com base nos princípios de justiça social, visando à “sustentabilidade democrática” (Acserald; Leroy, 1999); que abordam dialeticamente a relação homem-meio ambiente, mediada pelo trabalho (Deluiz; Novicki, 2004); que entendem a Educação Ambiental em uma perspectiva crítico-transformadora (Guimarães, 2004; Layrargues, 1999) e, em relação à formação de professores, que valorizam os saberes docentes adquiridos pela reflexão prática para sua ação profissional, reconhecem o professor como ser humano, profissional sensível e autônomo, no que se refere ao seu autodesenvolvimento e, consideram a reflexão crítica como indispensável (Mendes, 2003; Zeichner, 1998; Giroux, 1997; Demo, 1996; Freire, 1992). Esta pesquisa foi realizada através da análise dos documentos oficiais do PMA e do consórcio (relatórios, diagnósticos, atas, materiais didáticos), de entrevistas (gestora de projetos da Fundação Vale do Rio Doce, presidente da associação de moradores da região da grande Cobilândia, consultora contratada, professores de Educação Ambiental do PMA, professores-alunos) e da observação das atividades de EA desenvolvidas pelo PMA nas escolas de 5ª a 8ª séries. Na maioria das atividades analisadas, verificamos o predomínio de uma visão de desenvolvimento sustentável pautada na matriz discursiva da eficiência (soluções de mercado, tecnicistas/economicistas) que não é portadora de uma crítica ao modo de produzir e consumir, ou seja, não articula desigualdade/exclusão social e degradação ambiental. De modo coerente, observamos atividades e constatamos em documentos que o PMA apresenta uma concepção reducionista de meio ambiente (ênfase nos aspectos biológicos), que não leva em consideração as dimensões social, cultural, política e econômica da temática ambiental. Como consequência dessas abordagens de desenvolvimento sustentável e de meio ambiente, a concepção de EA que orienta as atividades do PMA caracteriza-se por ser comportamentalista, privilegiando as atitudes individuais e, consequentemente, culpando “os indivíduos em geral” pela degradação ambiental. O impacto dessas concepções nos professores, alunos e comunidade da região do rio Marinho é a não formação de cidadãos como determina a LDB, que elegeu a cidadania como eixo do currículo escolar.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Área Curricular
Modalidade: Regular