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ONGs, a utopia da sustentabilidade? O caso da Associação de Agricultura Orgânica
As ONGs (Organizações Não Governamentais) surgiram na Europa e a partir dos anos 60 começaram a se espalhar pela América Latina e África, locais onde predominavam os regimes políticos totalitários. No Brasil, a década de 80 é o marco desses atores vindos da militância política de esquerda, dos grupos de educação popular e da igreja católica. A intervenção das ONGs no meio rural inicia-se com os movimentos de luta pela posse da terra, nos assentamentos e comunidades rurais já estabelecidas. No espaço acadêmico ocorre através de grupos de discussão que se tornaram ONGs devido à insatisfação com o modelo de desenvolvimento imposto pela revolução verde. Em São Paulo um grupo de profissionais da área iniciou uma série de discussões e encontros que culminou posteriormente na formação da AAO (Associação de Agricultura Orgânica). Esta ONG se consolidou apoiada nos princípios da agroecologia assessorando a produção de orgânicos para agricultores familiares, divulgando a utilização de um manejo de práticas ecologicamente sustentáveis, socialmente justas e economicamente viáveis. Nosso trabalho procurou evidenciar, através da visão dos técnicos, produtores associados e consumidores a trajetória utopista e transformadora da AAO, nas relações de produção de seu projeto principal, a feira de produtos orgânicos, bem como nos projetos secundários como a intervenção na CTNBIO e Educação Ambiental.