Título
Comunidades de prática e sistemas de informação: um exemplo na área ambiental
Argumenta-se que estamos vivendo na "era da informação". Nesse contexto, a crescente necessidade de comunicar-se, gerar conhecimentos e transmitir ideias tem criado desafios a serem solucionados mediante o uso das tecnologias da informação. Pesquisadores da área vêm constatando as dificuldades de identificação que existem entre os usuários e os sistemas de informação tradicionalmente projetados. Mediante essa problemática, este trabalho teórico teve como objetivo investigar que dimensões devem ser levadas em conta ao se criar o design conceitual de um sistema de informação, que estimule a participação e aumente os níveis de aprendizado dos envolvidos. Para exemplificar a aplicação das abordagens genéricas a uma área específica do conhecimento, optou-se pela investigação das premissas para o design de um Sistema de Informação Ambiental (SIA). Uma pesquisa documental sobre o caminho da Alemanha em relação à "informática ambiental" e o estudo aprofundado de um SIA alemão, criado e desenvolvido mediante processos participatórios foram as investigações de práticas reais, selecionadas para esse trabalho. Em seguida, foram investigadas abordagens teóricas que tivessem como base comum o aprendizado em ambientes sociais. Wenger (1998; 2000), observando as áreas de trabalho, desenvolveu o conceito de comunidades de prática, localizando-as como fontes de participação, aprendizado e identificação. Bannon (1990; 1991), Kyng (1996) e Mogensen (1993) por sua vez, apresentam uma vertente alternativa de design de software cujo foco está na análise e no design cooperativo com envolvimento do usuário. Através de discussões críticas e comparações entre as abordagens teóricas e as práticas pesquisadas estabeleceram-se na conclusão do trabalho cinco premissas a serem levadas em conta antes de se iniciar o design conceitual de um sistema de informação ambiental: SIA enquanto portal educacional aberto à população; SIA estruturado a partir das premissas sócio interacionistas do aprendizado; SIA estruturado de forma a fomentar o encontro interdisciplinar; SIA enquanto espaço propício para formação de identidades participativas; SIA reificado em constelações institucionalizadas.