Título
Educação Ambiental em Copacabana através de organizações da sociedade civil
Considerando que Copacabana é um dos bairros da zona sul do Rio de Janeiro que mais apresenta problemas socioambientais, este estudo objetivou analisar as atividades de educação ambiental desenvolvidas por organizações da sociedade civil (associações de moradores, ONGs, clubes de serviços) que atuam naquele bairro. Selecionou-se oito organizações da sociedade civil: Sociedade Amigos de Copacabana, Sociedade Amigos do Parque da Chacrinha, Câmara Comunitária de Copacabana, Lions Clube Copacabana, Coopbabilônia, Associação de Moradores do Leme, Academia Brasileira de Meio Ambiente e Associação de Moradores do Morro da Babilônia. A abordagem teórico-metodológica enfatizou as concepções de desenvolvimento sustentável (ACSELRAD, 2001; DELUIZ; NOVICKI, 2004; FOLADORI, 2001), meio ambiente (GRÜN, 1996; NOVICKI; GONZALEZ, 2003) e Educação Ambiental (GUIMARÃES, 2000, 2004; LAYRARGUES, 1999, LOUREIRO, 2000; NOVICKI; MACCARIELLO, 2002). O levantamento de dados/informações foi realizado através de documentos e material de divulgação produzidos pelas organizações, entrevistas realizadas com os dirigentes dessas instituições, visando conhecer as atividades de educação ambiental desenvolvidas ou em fase de desenvolvimento visando reverter o quadro de degradação e a forma como as questões sociais e ambientais são abordadas, a avaliação feita sobre a eficiência de suas ações. A atuação das organizações foi classificada em três grupos: a) as que não estão desenvolvendo atividades relacionadas com o meio ambiente; b) organizações que entendem sua função como servir de intermediário entre o cidadão e os órgãos de defesa do meio ambiente; e, c) as que efetivamente têm projetos voltados para preservação do meio ambiente. Percebe-se que as organizações que efetivamente têm algum trabalho voltado para a questão ambiental apresentam diferentes concepções de educação ambiental, pautadas em diferentes matrizes teóricas. A visão reducionista de meio ambiente, que não incorpora as dimensões social, ética, política e cultural da temática ambiental, foi predominante. Apesar da maioria das respostas obtidas através das entrevistas, nos remeter a uma visão social articulada com o ambiental, na prática, o que se observa é uma visão reducionista dos problemas ambientais na maioria das organizações que desenvolvem propostas de educação ambiental. Assim, por exemplo, o foco de algumas das organizações analisadas é reflorestar ou punir, sem articular as questões sociais e ambientais ou tentar conscientizar a população de seu papel de cidadã.