Título

Os caçadores da serra da Capivara e a face cruel da Educação Ambiental

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Sádia Gonçalves de Castro
Nome do(a) orientador(a)
Luís Carlos Sales
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2004
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Este trabalho analisa o processo de educação ambiental a que são submetidos os caçadores das comunidades do entorno do Parque Nacional da Serra da Capivara, seguindo, para tanto, uma das vertentes da psicologia social: a teoria das representações sociais. Por meio desse olhar teórico, buscou-se apreender as crenças, os valores e os hábitos dos caçadores, sobretudo entender as representações sociais que esses sujeitos têm de meio ambiente e de educação ambiental e como reagem à introdução de novas formas de relacionamento com a natureza. O recorte temporal utilizado compreende o intervalo entre a data de criação do Parque Nacional da Serra da Capivara, passando pela chegada do Ibama até julho de 2004. Como suporte teórico desta investigação foram utilizados a teoria das representações sociais De Serge Moscovici (1978) e o conceito de habitus de Pierre Bourdieu. O estudo baseia-se na hipótese de que os conflitos sobre as questões ambientais naquela região são conduzidos por um certo tipo de representação social existente entre os nativos e os representantes institucionais. A pesquisa utilizou a entrevista e a observação como meios de obtenção de dados primários. Os dados secundários foram obtidos por meio de consulta a documentos e a literatura relacionada ao objeto de estudo. As entrevistas foram realizadas individual e coletivamente com caçadores e ex-caçadores. Na observação procurou-se captar informações sobre o cotidiano dos caçadores e a forma de eles se relacionarem dentre si. Por meio de seus discursos, foram captadas as representações sociais que eles partilham sobre a caça, a mata e a educação ambiental. Os resultados demonstram que a caça para os sujeitos pesquisados representa a única forma de sobrevivência e significa uma prática cotidiana construída ao longo de vários séculos, adquirindo, por conseguinte a força e a consistência de uma cultura. A representação social que eles têm de meio ambiente e os hábitos por eles adquiridos (construídos) os levam a tomar atitudes consideradas criminosas pelas leis ambientais, mas que, pela maneira que se encontram estruturadas na mente e nas práticas cotidianas são impermeáveis às mudanças ainda que essas venham sob o signo de uma imposição legal. Para os caçadores, essas atitudes são consideradas normais, uma vez que elas encontram-se estruturadas em suas mentes e determinam (orientam) a forma de eles se relacionarem com a natureza. Podendo-se, assim, compreender as razões da forte resistência dos caçadores as mudanças e os motivos de suas teimosias em desobedecer a lei.


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