Título
As abordagens sobre redes sociais: o capital social como recurso de sustento a ação coletiva na Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental - Reasul
Se as redes sociais têm sido percebidas como um caminho possível ao fortalecimento da Educação Ambiental, no Brasil, o capital social coletivo, constituído por estas redes, pode agregar valor ao ideal representado pela consciência, responsável e solidária, dos graves problemas socioambientais, enfrentados pela sociedade contemporânea. Assim como a rede egocêntrica, também a rede com fins coletivos não se atém a modelos e regras estabelecidas a priori do contexto. Existem ações que propiciam a formação de capital social de um ponto de vista, sendo positivas para uma situação específica, e constituem vínculos com resultados negativos para outro contexto ou situação. Nesta pesquisa, as redes de educação ambiental foram abordadas como instrumentos estratégicos a organização coletiva e, as relações entre as pessoas, como possibilidades de realização de capital social que possibilita aos indivíduos refletir e agir juntos, buscando atingir os objetivos comuns a que se propõem. Este trabalho teve por finalidade, através da utilização da análise das redes sociais (network analysis), descrever o processo de formação e implantação da Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental (Reasul), para identificar a influência do capital social, constituído e fortalecido na mesma, para o sustento da rede parcial, constituída pela equipe gestora (CGP), das instituições envolvidas e da rede coletiva. Este estudo mesclou as abordagens qualitativa e quantitativa de pesquisa, em redes sociais, permitindo apreender os processos interacionais ocorridos, durante o período de tempo analisado e o posicionamento dos atores na estrutura, em função dessas interações. A primeira abordagem foi ancorada na análise situacional processual e enfatizou as particularidades inerentes ao contexto de formação da rede. A segunda, ancorada na abordagem estrutural funcionalista, permitiu desenhar a estrutura da rede parcial, formada pela equipe gestora, e verificar a constituição de capital social ou vínculos nas inter-relações dos atores e os efeitos para a estrutura. A verificação dos conteúdos normativos inferiu que eram esses conteúdos que representavam o capital social primário para o sustento dos atores na estrutura. A falta desse capital social, por um dos membros, podia ser suprida pela força das suas relações egocêntricas, com atores que detinham esse capital social de sustento, quando este membro fosse respaldado pelo capital social que os conteúdos normativos representavam. Na rede coletiva, para que os recursos sejam produzidos, a diversidade de atores e situações particulares precisam ser observados. E, nesse sentido, pode-se afirmar que não são os atores que devem adaptar-se à estrutura, mas sim a estrutura que deve adaptar-se às necessidades contextuais dos atores. Assim, pode-se constatar que a sustentabilidade da estrutura e dos parceiros pode ser diretamente vinculada à eficácia do recurso que ela constitui em nível pessoal e social. Se as relações estabelecidas na rede não constituírem capital social, haverá a ruptura dos laços. Esta ruptura pode significar, para a rede coletiva, não só a perda de uma pessoa, mas também das pessoas que integram a rede egocêntrica do indivíduo considerado, em função do capital social que ela representa. É importante reconhecer a rede coletiva como capital social apropriável pela sociedade; e, as pessoas e instituições que a integram, como capital social da rede coletiva. Sugere-se a necessidade de adaptar a rede social e o capital social coletivo que ela constitui, aos recursos que ela necessita para se efetivar, dentro da sua contextualidade, situacionalidade e dinamicidade, possibilitando a reprodução de novas formas de capital social através da ação humana.