Título
Dos rios aos manguezais, caranguejos, peixes e guarás: comunicação para o desenvolvimento local na comunidade agropesqueira de Tamatateua - reserva extrativista marinha Caeté - Taperaçu, Bragança, Pará
Este estudo tem como objetivo geral analisar as estratégias de comunicação utilizadas pelo comitê de reserva extrativista Marinha Caeté-Taperaçu com os atores sociais da comunidade agropesqueira de Tamatateua, município de Bragança, Pará no cumprimento do plano de utilização e sua contribuição para o desenvolvimento local. Para tanto, os objetivos específicos foram: identificar as ações de comunicação que o comitê da reserva extrativista orienta seus associados para o cumprimento do plano de utilização e as estratégias de comunicação que o comitê utiliza para a formação de capital social entre os moradores em função do desenvolvimento local sustentável. Trata-se de um estudo interdisciplinar, tendo como fundamentos teóricos a ênfase em desenvolvimento local, sustentável, comunicação, capital social e educação ambiental. Na estratégia metodologia foi utilizado um estudo de caso nos instrumentos de observação participante, entrevistas não estruturadas, registros das observações e fotográficos. Os resultados nos revelaram que as maiorias dos associados participam das discussões quando os temas têm relação com os problemas ambientais existentes e esse envolvimento é ocasionado pelo grau de conhecimento adquirido de geração em geração, mais também pela comunicação para educação ambiental realizada ao longo do tempo por outras instituições e projetos. O comitê utiliza-se de estratégias de comunicação como: reuniões, oficinas, palestras, programa em rádio, comunicação interpessoal. Ficou revelado que essa comunicação na modalidade de informação não os deixa empoderados para cumprir o plano de utilização. Já existe uma consciência coletiva por perceberem a importância da reserva enquanto mecanismo de reserva dos recursos extrativistas que é fonte de sua sobrevivência. Concluímos que estas evidências resultam da mobilização e participação dos atores sociais e que a comunicação informativa tem menos efeito que a comunicação educativa e dialógico-dialética. A utilização de estratégias de comunicação como instrumento metodológico participativo e educativo deve ser recomendado para a superação dos problemas ambientais e melhoria da qualidade de vida da população local.