Título
Percepção ambiental e participação pública na gestão dos recursos hídricos: perfil dos moradores da cidade de São Carlos, SP (bacia hidrográfica do rio do Monjolinho)
Através da percepção ambiental são estabelecidas as relações de afetividade do indivíduo para com o meio ambiente. A partir da formação de laços afetivos positivos pode acontecer a modificação dos valores atribuídos pelas pessoas para cada lugar em seu entorno. Esta pesquisa foi desenvolvida buscando levantar a percepção ambiental, o nível de informação dos moradores da cidade de São Carlos e seu grau de interesse em participar de ações para melhorar a qualidade ambiental de seu entorno, tendo como ponto focal a bacia hidrográfica do rio do Monjolinho e a gestão participativa dos recursos hídricos. A técnica empregada para a coleta de dados foi a entrevista estruturada, tendo como base um roteiro com 81 questões. Como resultado, esta pesquisa revelou que uma parte significativa dos entrevistados não apresentam relações afetivas com o entorno, o que prejudica a iniciativa de participar de ações em prol da melhoria da qualidade ambiental. Da mesma forma, a maioria dos entrevistados mostrou desconhecer a existência e as funções do comitê de bacia hidrográfica e, consequentemente, não participam de nenhuma instância das decisões relacionadas à gestão dos recursos hídricos. Parte dos entrevistados informou que a falta de promoção e de divulgação de atividades ou campanhas relacionadas ao meio ambiente estão entre os principais motivos para pequena participação pública em tais atividades e que a educação ambiental é um importante instrumento de sensibilização em busca da consciência ambiental da população, podendo levar a mudanças de atitude e à realização de ações em prol do meio ambiente, visando a preservação ou a conservação e buscando a melhoria da qualidade ambiental. Para que a gestão participativa da água seja efetiva deve-se levar em consideração a opinião pública que pode ser apresentada através da presença de representantes da sociedade civil organizada nos fóruns adequados, como os comitês de bacia hidrográfica, e a educação ambiental deve ser amplamente empregada na sensibilização da comunidade, de forma direcionada e específica para cada público-alvo (escolares de diferentes níveis e comunidade em geral) ampliando a capacidade da população para participar da gestão pública dos bens naturais a que tem direito.