Título

Território de Mata Cavalo: identidades em movimento na Educação Ambiental

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Roberta Moraes Simione
Nome do(a) orientador(a)
Michèle Tomoko Sato
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2008
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Localizado no município de Nossa Senhora do Livramento, em Mato Grosso, o complexo Mata Cavalo é uma comunidade negra rural cujas terras foram adquiridas por doações ou compra pelos antigos ex-escravos no século XIX. Sendo a terra da antiga sesmaria fértil e rica em minério, por anos os quilombolas foram perseguidos, ameaçados, humilhados, presos e expulsos de suas casas e sítios por fazendeiros que chegavam na região. Sob este contexto, neste trabalho escolhi a identidade do grupo como tema de pesquisa, com o intuito de compreender os significados e sentidos que orientam o movimento de luta em favor do direito a um território ancestral. Para realizar tal tarefa, indago: o que é ser quilombola? A identidade quilombola é uma construção do presente? O movimento de luta dos negros quilombolas de Mata Cavalo gira em torno do espaço habitado e modificado ou da identidade construída, consolidada e contrária a um cenário político hegemônico e excludente? Tendo como suporte uma metodologia de cunho qualitativo, fiz um estudo histórico de cunho etnográfico e bibliográfico. Ao se considerar a origem e a história deste grupo, enfatizando a condição de possuírem um território compartilhado e uma identidade unificadora que se resume no sentimento de pertencimento do grupo à terra da sesmaria Boa Vida, nesta pesquisa procurei contribuir com a discussão em voga a respeito da identidade e reconhecimento das comunidades quilombolas, de modo que as mesmas ampliem sua luta para a permanência no território dos antepassados no bojo da educação ambiental. Valendo-se da tradição e da cultura, considero que os valores e as representações dos quilombolas não podem ser remetidos somente à ancestralidade e relegado ao passado, mas ao presente portando novas orientações e perspectivas desvinculadas de uma importância meramente alegórica alicerçada nos moldes da tradição. A identidade é expressão da própria luta pelo território quilombola, configurada numa reação contrária às formas de opressão que o grupo tem sofrido ao longo de todos estes anos, oferecido a preço alto pela sociedade excludente e hegemônica da qual fazemos parte. A luta, a terra, o território, o parentesco, a relação de compadrio expresso no muxirum, o linguajar, a forma de plantar, de colher, de se criar animais expressam aquilo que chamo de identidade quilombola, ao ver uma singularidade que busca igualdade nas relações socais e políticas no âmbito da diversidade.


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