Título
Território de Mata Cavalo: identidades em movimento na Educação Ambiental
Localizado no município de Nossa Senhora do Livramento, em Mato Grosso, o complexo Mata Cavalo é uma comunidade negra rural cujas terras foram adquiridas por doações ou compra pelos antigos ex-escravos no século XIX. Sendo a terra da antiga sesmaria fértil e rica em minério, por anos os quilombolas foram perseguidos, ameaçados, humilhados, presos e expulsos de suas casas e sítios por fazendeiros que chegavam na região. Sob este contexto, neste trabalho escolhi a identidade do grupo como tema de pesquisa, com o intuito de compreender os significados e sentidos que orientam o movimento de luta em favor do direito a um território ancestral. Para realizar tal tarefa, indago: o que é ser quilombola? A identidade quilombola é uma construção do presente? O movimento de luta dos negros quilombolas de Mata Cavalo gira em torno do espaço habitado e modificado ou da identidade construída, consolidada e contrária a um cenário político hegemônico e excludente? Tendo como suporte uma metodologia de cunho qualitativo, fiz um estudo histórico de cunho etnográfico e bibliográfico. Ao se considerar a origem e a história deste grupo, enfatizando a condição de possuírem um território compartilhado e uma identidade unificadora que se resume no sentimento de pertencimento do grupo à terra da sesmaria Boa Vida, nesta pesquisa procurei contribuir com a discussão em voga a respeito da identidade e reconhecimento das comunidades quilombolas, de modo que as mesmas ampliem sua luta para a permanência no território dos antepassados no bojo da educação ambiental. Valendo-se da tradição e da cultura, considero que os valores e as representações dos quilombolas não podem ser remetidos somente à ancestralidade e relegado ao passado, mas ao presente portando novas orientações e perspectivas desvinculadas de uma importância meramente alegórica alicerçada nos moldes da tradição. A identidade é expressão da própria luta pelo território quilombola, configurada numa reação contrária às formas de opressão que o grupo tem sofrido ao longo de todos estes anos, oferecido a preço alto pela sociedade excludente e hegemônica da qual fazemos parte. A luta, a terra, o território, o parentesco, a relação de compadrio expresso no muxirum, o linguajar, a forma de plantar, de colher, de se criar animais expressam aquilo que chamo de identidade quilombola, ao ver uma singularidade que busca igualdade nas relações socais e políticas no âmbito da diversidade.