Título
Educação Ambiental e processo de trabalho: um estudo da auto-organização de coletivos de trabalhadores na colônia de pescadores Z3 - Pelotas/RS
A dissertação apresenta trabalho no campo da Educação. Este estudo é desenvolvido dentro da linha de pesquisa "Educação Ambiental não-formal e informal". A pesquisa tem por objeto o processo de auto-organização de coletivos de trabalhadores e a Educação Ambiental como instrumento para construir a necessidade da ética da responsabilidade. O objetivo é analisar o processo de auto-organização dos coletivos de trabalhadores da colônia de pescadores Z3 (localizada na metade sul do RS) por meio da análise dos componentes do processo de trabalho (necessidade, finalidade, força de trabalho, objeto(s), produto e instrumentos) e da Educação Ambiental - EA, em alguns de seus princípios, os quais são relacionados a ética da responsabilidade. O programa de política pública, coletivos de trabalho é entendido como um dos instrumentos para a auto-organização de trabalhadores que desenvolvem reflexão-ação entre o emergente e o estratégico em suas existências, em seu meio. Esta análise percorre o processo de trabalho desenvolvido por esse grupo de pesquisa indicando diálogos e o refazer de interações dentro do processo de auto-organização. A realidade analisada é interpretada em sua possibilidade transformadora de ruptura de sentidos, no foco do processo de trabalho, da relação entre os sujeitos da pesquisa e o processo de trabalho. O impulso gerador de esse projetar ou resignificar da capacidade de auto-organização do grupo pesquisados foi desenvolvido por um processo pedagógico, aqui identificado como Educação Ambiental, na efetivação do programa de política pública coletivos de trabalho - PCT do estado do RS. Nesse agir coletivo surge a implicação de nova normatização que extrapole o individual que passe a ser extensiva ao coletivo, com respeito e cuidado ao ambiente como um todo. O grupo de estudo foi composto por 150 trabalhadores envolvidos no PCT, técnicos do poder público municipal e estadual, professoras e pescadores. A coleta de dados foi executada ao longo do desenvolvimento do PCT, com levantamento documental, levantamento do material produzido pelos trabalhadores, como relatórios, jornais, maquetes, textos, músicas, poesias, filmagens e fotos. Contei desde o início do processo de pesquisa, com os pressupostos teóricos na qual destaco Atlan (1991), Jonas (1995), e o tratado de Educação Ambiental para a sustentabilidade e responsabilidade global (1992). Os dados foram organizados ao longo de três grandes categorias ou questões de pesquisa: a questão do trabalho, Educação Ambiental e a ética da responsabilidade, para aproximar minha interpretação a realidade das vivencias dos sujeitos pesquisados, entendendo seu contexto histórico-social. No trabalho de campo surgem as categorias empíricas, que podem ser caracterizadas em processo de trabalho, auto-gestão e a organização dos trabalhadores na relação presente-futuro, através de instrumentos qualitativos nos caminhos da dialética caracterizando-se como estudo de caso. A partir das conclusões dessa pesquisa dentre outros separo o que segue: a proposta pedagógica desenvolvida pelo PCT na colônia proporcionou a aproximação dos princípios da EA no cotidiano da vida desses trabalhadores, de seu sentido auto organizador traduzindo-se em sensibilizações e estímulos para novas atuações consigo mesmos, com sua comunidade, com seu ambiente: as articulações entre trabalhadores, poder público e ONGs pode ser considerado um grande laboratório para o entendimento da Educação Ambiental como proposta crítica de ação-reflexão para transformação da realidade socioambiental, pois seus princípios foi a grande base teórico-metodológica no processo de trabalho na comunidade; o processo de resignificações em manifestações e práticas analisadas na pesquisa comprometiam os trabalhadores na busca do sujeito coletivo aproximando da ética da responsabilidade; a e exigência da operacionalidade organizacional e administrativa exigida para com a comunidade e entidade executora do PCT, não deu-se na mesma proporcionalidade para com os poderes públicos; considero o PCT um diferencial em políticas públicas, visto seu potencial para a construção do atendimento as necessidades mais emergentes e estratégicas para cada realidade socioambiental em que se insere uma comunidade.