Título

Projeto de assentamento Chico Mendes II: uma parceria possível entre reforma agrária e conservação da mata atlântica?

Programa Pós-graduação
Ecologia (Conservação e Manejo da Vida Silvestre)
Nome do(a) autor(a)
Paula Ribeiro Coelho
Nome do(a) orientador(a)
Paulina Maria Maia Barbosa
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2009
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Na década de 80, a política de reforma agrária foi iniciada no Brasil com o objetivo de distribuir melhor as terras, diminuindo o número de grandes latifúndios. À medida que as terras foram ocupadas para reforma agrária, cresceu o conflito de interesses entre os movimentos sociais e os movimentos ambientalistas. Diversas áreas que eram de interesse para a conservação da mata atlântica, um dos “hotspots” brasileiros, foram desapropriadas para a criação de assentamentos da reforma agrária. O conflito entre conservação e a questão agrária é ainda intenso na maior parte do país, especialmente na Amazônia, onde são criados assentamentos em locais onde a mata estava preservada, causando grandes impactos. No entanto, em algumas localidades do país estratégias vêm sendo desenvolvidas para a conciliação dos interesses dos assentados e dos ambientalistas. Em Minas Gerais, foi criado, em 2002, o assentamento “Chico Mendes II” no entorno no Parque Estadual do Rio Doce (Perd), o mais importante fragmento de mata atlântica do estado. O parque é circundado por plantações de eucaliptos, grandes siderúrgicas e áreas urbanizadas, e no assentamento está o maior fragmento de mata do entorno dele (340 ha.). Devido à importância ecológica da mata do assentamento, o presente estudo objetivou incentivar a conservação da biodiversidade e a melhoria da qualidade de vida da população residente no assentamento, através de um programa de educação ambiental. Foram realizados diagnósticos participativos com o objetivo de levantar os problemas da área. A partir dos resultados, durante um ano, foram realizadas várias atividades com a participação dos assentados como: seis oficinas (sanidade de cultivo e de solos, conservação de solos, conservação da água, fauna e flora da mata atlântica, adubação verde e lixo), uma saída de campo para o Perd, uma feira para troca de sementes e uma palestra proferida pelo administrador do parque. O processo de educação ambiental é lento e geralmente os resultados são constatados somente a longo prazo. No presente estudo, os assentados demonstraram ter ampliado os seus conhecimentos sobre o funcionamento dos ecossistemas, no entanto, na prática, poucas mudanças foram observadas. Provavelmente, porque mudanças de hábitos, muitos deles passados por várias gerações, levam algum tempo. Com a continuidade da pesquisa espera-se que os assentados incorporem novas práticas agrícolas em seu cotidiano de forma que possam contribuir para a conservação do meio ambiente.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
09/07/2014