Título
Tecendo conexões entre a trajetória formativa de professores de Biologia e a prática docente a partir da Educação Ambiental
Este estudo teve como objetivo geral a análise da trajetória formativa de professores de Biologia sobre educação ambiental e a reflexão sobre a prática docente construída a partir dessa formação. Tomamos como categorias centrais a formação inicial e continuada e a prática docente e, nessa perspectiva, apoiamo-nos nos estudos de vários autores em nossa fundamentação teórica, destacando-se Freire (2002, 2001, 2000, 1998, 1993,1989, 1983, 1976), Souza (2007), Santiago (2006), Pérez-Gómez (2000) e Sato e Zakrzevski (2003). Para atingir os objetivos propostos adotamos como encaminhamento metodológico a abordagem qualitativa, tendo como sujeitos os quatro docentes de Biologia do Ensino Médio da escola estadual Lions Parnamirim, localizada em Recife/PE. Utilizando a metodologia interativa (oliveira, 2007), recorremos ao uso de entrevistas, questionários, observação e análise documental como instrumentos de coleta de dados. Os resultados revelam que há várias conexões entre formação inicial, formação continuada e prática docente de professores de Biologia quanto à educação ambiental. Desse modo, a contribuição insuficiente da formação inicial para o trabalho com a temática ambiental, que encontra suporte somente na disciplina Ecologia, leva os professores a terem dificuldades em suas práticas docentes em relação à educação ambiental. A formação inicial dos professores de forma tradicional e a quase ausência de formação continuada conduzem a uma prática docente de tendência à reprodução e à fragmentação do conhecimento. Dessa forma, há predomínio de atividades teóricas em detrimento de atividades práticas. A contribuição institucionalizada para a formação continuada tem se reduzido ao oferecimento de palestras pontuais e descontextualizadas. Nesse sentido, verificamos que os professores identificam a necessidade de mais oferta de formação continuada, além de mais oportunidades e incentivo. Por trabalharem em duas ou três escolas os professores não conseguem ter tempo para reuniões necessárias ao desenvolvimento de projetos interdisciplinares. Todos esses fatos levam-nos a refletir que antes de pensarmos em uma reforma na formação inicial e continuada de professores é preciso que ocorra uma reforma no pensamento, na forma como se percebe a complexidade ambiental e a prática docente. Portanto, uma mudança de atitude na relação homem natureza parece-nos ser o grande desafio para uma prática docente comprometida com os aspectos sócio-políticos que possa garantir a efetiva implementação da educação ambiental nas escolas.