Título
Percepção e representação ambiental dos guias/condutores de turismo e dos turistas do Parque Estadual do Jalapão/TO, como fator influenciador da prática ecoturística
O Parque Estadual do Jalapão - PEJ, criado pela lei nº. 1.203/2001 tem como principal objetivo a preservação dos recursos naturais da região, permitindo assim o aproveitamento indireto de seus benefícios, sendo a atividade turística uma das principais beneficiadas. Mas a região vem sofrendo uma crescente pressão antrôpica que tem colocado em risco o patrimônio natural e cultural. Desta forma, o presente estudo analisou a percepção ambiental dos guias/condutores de turismo e dos turistas, analisando assim, a interferência dos guias e condutores no processo de visitação. Entendo assim, que este seja um dos caminhos para assegurar a preservação do PEJ. Foi definida uma amostra intencional de 23 guias ou condutores de turismo e 107 turistas a serem entrevistados. A metodologia utilizada foi baseada, em um primeiro momento, no estudo de Palma (2004), realizando uma visita a campo, em que observou o meio de atuação dos guias e condutores de turismo que trabalham nos atrativos do PEJ. Em um segundo momento foi realizado uma pesquisa exploratória através de questionários com questões fechadas e abertas que foram aplicadas tanto aos guias e condutores, quanto com os ecoturistas que visitaram o local. As representações de meio ambiente foram baseados na metodologia de Sauvé et al. (2000 adaptado por SATO, 2001, apud FIORI, 2002), sendo também adaptados ao público-alvo da presente pesquisa. Ainda nesta etapa, foram apresentadas questões relativas à percepção dos entrevistados quanto aos impactos ambientais negativos da região, se houve Educação Ambiental nos roteiros e se houve alguma mudança no olhar do turista antes e depois de conhecer o Jalapão. Da mesma forma, foram feitas entrevistas com os guias e condutores, que juntamente com estas questões, foi discutido também a atuação dos guias e condutores de turismo no PEJ, para isto, foram apresentadas fotografias dos locais mais visitados. Foram ainda trabalhadas, fotos de alguns locais que estão sofrendo algum tipo de impacto ambiental negativo, com intuito de analisar se os profissionais percebiam os impactos sofridos, bem como, fotos sobre a percepção dos guias quanto à ambiente construídos e naturais, buscando suas opiniões sobre o tema. Os dados apontaram que a comercialização de produtos turísticos pode estar gerando uma indução imaginária, criando assim, uma expectativa diferente do que o turista encontrará em sua visita. Foi observado também que, apesar de condutas inadequadas, os guias e condutores de turismo, contribuem para a preservação ambiental ao se levar em conta que 81% dos turistas que visitam o PEJ sem a presença do guia, não recebem nenhum tipo de orientação quanto à conduta a serem adotadas, ao passo que 52% dos turistas com guia a recebem. Tendo as classificações de meio ambiente elaboradas por Sauvé et al. (2000) como um parâmetro de representação ambiental, tanto os guias quanto os turistas entrevistados (acompanhados ou não do profissional) possuem uma visão de meio ambiente que dissocia o homem da natureza, criando uma lacuna a ser eliminada. É importante reconstruir o sentimento de pertencimento, e, através da Educação Ambiental, explorar os vínculos existentes entre homem e natureza. Apesar dos profissionais hoje não atuarem de maneira eficaz de forma a contribuírem efetivamente para a preservação ambiental do local, eles podem vir a serem agentes multiplicadores e transformadores que auxiliam na fiscalização e monitoração ambiental. Sugere-se a capacitação destes profissionais para que haja uma atuação significativa.