Título
O desvelar da percepção ambiental na prática educativa - Barra do Garças/MT
A educação escolar é base constitutiva na formação das pessoas. Sendo assim, conceber a educação como direito humano diz respeito a considerar que as pessoas se diferenciam dos outros seres vivos por uma característica inerente à sua espécie: a vocação de produzir conhecimento e, por meio dele, transformar a natureza, organizar-se socialmente e elaborar cultura. Nessa direção a Educação Ambiental escolarizada pode revelar-se como prática de diálogo entre as culturas e a troca de experiências e vivências entre os autores e atores dos processos educativos, quando estes são pensados e construídos no currículo de forma coletiva e na perspectiva do processo de ensino-aprendizagem dos educandos. Essa construção pode ser vista merleau-pontyanamente, como inacabada, como um porvir, requerendo para e na organização escolar maior flexibilidade e autonomia dos envolvidos. Dessa forma, as ações de Educação Ambiental escolarizada podem contribuir significativamente para a formação dos estudantes em relação a sua realidade sócio-ambiental, motivando para o compromisso com a sadia qualidade de vida, tanto em nível local como global. Nessa linha de pensamento o trabalho de investigação, objetivou desvelar a percepção ambiental na prática educativa de três educadoras de ciclo I, de 1ª, 2ª e 3ª fases da E.E. Heronides Araújo, no município Barra do Garças, Mato Grosso. A opção pela abordagem qualitativa com olhar fenomenológico a partir de Merleau-Ponty permitiu apreender a diversidade semântica dos sentidos, por meio da intersubjetividade, da intimidade e da experiência dos sujeitos envolvidos. Como procedimento metodológico, foi utilizado o levantamento bibliográfico, o questionário, as entrevistas e as observações do cotidiano escolar. Como resultado foi desvelado três fios de percepção ambiental que sustentam a prática educativa dita de Educação Ambiental, quais sejam: como lugar pra viver; como liberdade e espaço e como natureza primitiva (rochas, rios, árvores, entre outras). O difícil entrelaçamento desses fios no chão da escola e na prática educativa perpassou necessariamente pela cultura, a afetividade, a relação intra-escola, a formação inicial e continuada das educadoras, a resiliência das professoras e o entendimento do projeto escolar voltado para uma organizada em ciclos.