Título
A transversalidade literária de Manoel de Barros na Pedagogia da Educação Ambiental no Pantanal
Temos presenciado, neste início do séc. XXI, o mundo consumista em conflito, com distanciamento entre os seres humanos, devastação e comprometimento dos bens naturais de nosso planeta. O racionalismo, as especializações, a corrida desenfreada rumo à tecnologia nos tornam frios, isentos de compreensão, amor, alegria e comunhão. A Educação Ambiental que propomos percorre o caminho da observação participante, numa perspectiva fenomenológica que permeia o biorregionalismo e a sociopoética, entendendo a poesia como território de acontecimento de aprendizagens e de sensibilização humana. Desenvolvemos pesquisa interdisciplinar, no período de março de 2003 a março de 2004, na escola estadual Maria Silvino Peixoto de Moura, município de Barão de Melgaço, em Mato Grosso, com estudantes de 6ª série do Ensino Fundamental, no entorno de uma RPPN (reserva particular do patrimônio natural) do Hotel SESC Pantanal, com o estudo da poesia de Manoel de Barros. Os alunos e alunas tiveram acesso a várias obras do escritor (que viveu sua infância no Pantanal), bem como filmes, fitas de áudio, exposições orais e debates. Apesar do grau de dificuldade das inúmeras imagens (figuras de linguagem) e vocabulário peculiar do autor repleto de neologismos, os professores e professoras expressaram sentimento de entusiasmo no decorrer e no término das atividades. O estudo demonstrou alto nível de envolvimento e participação dos sujeitos da pesquisa (alunos/as) que representaram o ambiente e cultura pantaneira, através de poesias, desenhos, textos, livro de receitas locais, histórias do Siriri e Cururu, orações e benzições. A poesia do autor mostrou-se capaz de aproximar distâncias quer geográficas quer emocionais, pois houve vários momentos de identificação por parte dos sujeitos (meio ambiente, brincadeiras, cultura, tradições e termos pantaneiros). A prática pedagógica encaminhada pelas águas, árvores, pássaros, lixos e coisas do chão que permeiam a obra de Manoel de Barros pode, a nosso ver, possibilitar, ainda, auxílio a políticas públicas que permitam a expressão crítica e criativa de estudantes de todo o território nacional.