Título
Educação e sustentabilidade em uma reserva de desenvolvimento sustentavél na Amazônia
A Educação Ambiental vem sendo um tema discutido em pesquisas e debatida em encontros nacionais e internacionais no que se refere aos encaminhamentos que tem seguido e aos objetivos implícitos nestes que refletem, na maioria dos casos, visão distorcida da mesma. Na Amazônia também há uma preocupação acadêmica sobre a temática, uma vez que a região, historicamente, vem sendo alvo de diferentes interesses, nos quais se desconhecem as peculiaridades, culturais e diferentes realidades regionais. A atenção dada ao tema mostra que seus desdobramentos precisam ser questionados e avaliados, devido se aterem somente ao repasse de informações que reproduzem uma ideologia alienante que não produz um processo educativo tampouco a apreensão crítica da realidade ou do ambiente. Procurou-se saber qual o significado empregado nas ações e na reserva de desenvolvimento sustentável do Tupé, situado na Amazônia e sua articulação com o Programa Municipal de Educação Ambiental de Manaus e deste último com a legislação referente ao tema. Fez-se isto através de entrevistas semi-estruturadas com professores e diretores, técnica de grupos focal alunos, assim como análise de conteúdo e documental do material didático utilizado nas ações, guiados pelo método histórico-crítico. Os resultados mostram que atende a legislação, mas seu significado impresso nas ações não considera o processo educativo como ato crítico e político, tampouco contribuem para a compreensão daquele ambiente, uma vez que o significado de ambiente para professores e alunos corresponde a frases repetidas e reproduzidas como “não jogar lixo no chão”, desconsiderando o entendimento de sua realidade ou contexto demonstrado nas respostas negativas ao saber que moravam em uma unidade de conservação. Do trabalho, infere-se ser preciso um maior compromisso quanto à formulação de programas em Educação Ambiental que esclareça qual o significado de suas implicações nas relações pedagógicas travadas no cotidiano escolar. No caso específico do Tupé, é preciso também que as ações demonstrem intencionalidade promovendo o sentido de gestão democrática e participativa da reserva que parte do reconhecimento do papel da escola dentro da área, e que tais princípios precisem estar inseridos no projeto político pedagógico, imprimindo a visão de homem que se pretende formar para aquela realidade.