Título
Educação Ambiental na construção da cidadania de mulhres no interior de Rio Grande
O encontro da Eco-92 desencadeou um processo de reflexões dando ênfase ao nexo entre a problemática ambiental, a diversidade cultural, ao desenvolvimento sustentado e a equidade social. Ambientalistas, ONGs, movimentos sociais e governos envolvem-se diretamente com maior ou menor criticidade na efervescência do debate ambiental. A pesquisa social passa a ser um instrumento aliado que oportuniza inferir as realidades que compõem a teia da vida, traduzindo resultados do impacto da ação predatória dos uma nos no planeta. Em relação às mulheres a realização de pesquisas busca dados sobre a vida das mulheres. A trajetória das lutas das mulheres vem dando conta de garimpar informações que possam desvelar o "ser mulher" e seu papel na questão humana, com seu nexo com a natureza, dando-lhe visibilidade. Para tanto, o presente trabalho busca destacar as mulheres na sua relação com a sociedade e com o meio ambiente. O estudo de caso dá conta das incursões de um grupo de mulheres que, de forma associativa e solidária, encontraram coragem e forças para enfrentar e romper o cerca da opressão dentro da senda da realidade e sua própria cultura. Em uma abordagem da filosofia eco feminista traçamos um paralelo entre as incursões de uma sociedade organizada na ótica masculina, com prioridade ao lucro, mecanicista, cientificista e de uma sociedade na qual homens e mulheres constroem juntos a sociedade voltada para a sustentabilidade, resgatando o direito de acesso para todos e todas, de maneira justa, com equilíbrio na utilização dos recursos, com respeito as culturas, com base na ética e respeito a diversidade. O resgate de valores da ordem da afetividade engendrando a participação dos sujeitos de forma a garantir a liberdade e igualdade do ponto de vista dos direitos em uma perspectiva coletiva em que um não vale mais do que outro. A associação Vitória da Vila da Quinta, composta por mulheres recolhem, separam e comercializam resíduos urbanos. Compondo o tecido da informalidade, o grupo tem representado para a sociedade local um modelo de ação pela vida, um suporte de educação ambiental, o resgate da dignidade humana transformando, assim valores em atitudes. O diálogo com a comunidade, a troca de informações sobre a problemática do lixo e a contribuição da educação formal conduzem esses sujeitos ao fulcro da educação ambiental. A apreensão de uma consciência crítica emerge no exercício da cidadania, na consolidação da ação em lugar de capitular frente à hegemonia globalizada.