Título
Água: de recurso natural e commodity a abordagem no livro didático de Ciências
Embasada na obra o contrato natural de Michel Serres, contrato que informa da necessidade de se rever a relação da humanidade com a natureza, para substituição do contrato social proposto por Hobbes, analiso o tema água nos livros didáticos de ciências usados no ensino fundamental de escolas públicas e particulares buscando entender como o livro didático trabalha com esse tema: com excesso de luminosidade centrado na transmissão de conhecimento e na reprodução de modelos fixos ou encaminha a participação do aluno, ao mesmo tempo em que tenta descrever, observar, descortinar o objeto água, trazendo no bojo um comprometimento político e social? Trazer à tona este debate é imprescindível no momento atual da educação brasileira dada a questão da qualidade e escassez de água, na atualidade e no futuro, ser uma ameaça constante à humanidade. Devido a sua aparente abundância na terra, o homem nunca se preocupou em preservá-la, julgando-a infinita e disponível para seu uso indiscriminado. A experiência em países desenvolvidos tem mostrado que de nada adianta criar leis e punições, se não houver mudanças comportamentais. E é a educação escolar, agente modificador, que pode formar cidadãos sintonizados com o meio ambiente, agentes multiplicadores e formadores de opinião, para atuarem no sentido da sustentabilidade. Este trabalho está dividido em dois capítulos, cujos títulos foram inspirados na obra “Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago. No primeiro capítulo, com o título de cegueira branca: a água; realizo uma ampla pesquisa sobre a importância da água para a sobrevivência dos habitantes do planeta, e saber como o mundo global está atento à possibilidade de escassez. No segundo capítulo, com o título cegueira escura: a educação; analiso a contribuição do livro didático de ciências na formação de cidadãos capazes de avaliar situações e ter atuação positiva e crítica no seu meio social, com respeito ao recurso natural e coletivo que é a água. A conclusão informa, com Serres, que só se aprende pela viagem: de fato nada aprendi, sem que tenha partido, nem ensinei ninguém sem convidá-lo a deixar o ninho.