Título

Percepção dos impactos socioambientais do turismo de segunda residência: o caso de Ponta de Tulha, Ilhéus, BA

Programa Pós-graduação
Cultura & Turismo
Nome do(a) autor(a)
Maria de Fátima Alves de Sena
Nome do(a) orientador(a)
Sócrates Jacobo Moquete Guzman
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2007
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

O principal propósito desta dissertação foi descrever os impactos socioambientais causados pela atividade turística na Ponta da Tulha, distrito de Aritaguá, no município de Ilhéus, sul da Bahia. Para tanto, estudou-se a percepção dos moradores locais e dos turistas de segunda residência, buscando detectar se a identidade, as atitudes e valores dos moradores locais sofreram modificações no decorrer do tempo. A pesquisa qualitativa observou as práticas sociais de três grupos de atores: moradores locais, turistas de segunda residência e excursionistas, utilizando a perspectiva metodológica oferecida pela fenomenologia da percepção, em que também o autor é observador participante. O estudo se preocupou com os aspectos envolvidos com o fluxo atual de pessoas que se trasladam de seu lugar de residência até Ponta da Tulha, em busca de recreação, paisagens e suas consequências culturais. Considera-se que essa dinâmica gera a necessidade de haver no lugar a infraestrutura econômica, social e política indispensável para apoiar este público, garantindo a sustentabilidade da atividade turística, mitigando, assim, os seus impactos negativos. Após a investigação, concluiu-se que não existem projetos (sociais, econômicos e ambientais) desenvolvidos pelos poderes públicos, municipal e estadual, para a Ponta da Tulha, embora seja uma área de preservação ambiental, decretada em 22 de setembro de 2003, quando da ampliação da APA de Lagoa Encantada e Rio Almada. Constatou-se que os moradores não parecem sensibilizados, esclarecidos ou conscientizados sobre o que significa a sua atuação no meio ambiente e o quanto uma atitude individual poderá fazer a diferença no coletivo. Agem de forma bastante passiva e sem interatividade com os responsáveis pelo poder público. Reconhecem e até relatam que estão poluindo os riachos existentes no lugar, mas nada fazem para evitar. Têm o estado como um “pai” e não sabem ou não acreditam no seu papel como cidadão e o quanto, se o exercessem, poderiam mudar, positivamente, o cenário do seu ambiente. Foi detectado que as práticas socioambientais dos excursionistas e em especial dos turistas de segunda residência, exercidas sobre os moradores, no decorrer do tempo, têm provocado modificações nas suas identidades, nas suas atitudes e nos seus valores, assim como nas suas práxis do cotidiano e, consequentemente, da paisagem do lugar. Quanto à percepção dos seus moradores a respeito do espaço em que vivem, pode-se afirmar que as suas identidades estão presentes na paisagem turistificada, apresentando um dinamismo próprio, evidenciando transformações tanto em termos qualitativos como quantitativos. O turismo ali desenvolvido é uma atividade de aparência paradoxal, apresentando vantagens e desvantagens socioambientais. Conclui-se que não se pode pensar em sustentabilidade sem educação; educação em ampla dimensão da população local, dos responsáveis pelos serviços de planejamento e gestão do turismo e dos turistas, promovendo a conscientização de cada indivíduo quanto a sua responsabilidade no comportamento coletivo. Eis aí o grande desafio.


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