Título
Educação Ambiental: planejamento e uso de trilhas ecológicas interpretativas para estudantes com deficiência intelectual
Este estudo, de cunho qualitativo, parte do princípio que as questões ambientais atuais e a degradação do meio ambiente vêm despertando na sociedade a necessidade de buscar meios que colaborem para a formação de indivíduos com hábitos e atitudes de respeito perante o meio ambiente. Assim, procurando colaborar para a formação desse indivíduo, a Educação Ambiental (EA) formal e não formal procura oferecer meios para facilitar esse processo, seja em escolas ou em parques, clubes etc. Historicamente, o portador de deficiência sempre foi visto como incapaz e colocado à margem da sociedade, porém com o passar dos anos, a criação de leis, recomendações internacionais e movimentos da sociedade civil garantiram ao mesmo seus direitos. Contudo, apesar do avanço legal e das recomendações internacionais que garante às pessoas com alguma deficiência sua inclusão na sociedade, ainda muitas são as barreiras e desafios a serem vencidos. Portando, procurando contribuir para a formação de indivíduos com hábitos e atitudes éticos perante a natureza e a sociedade, promover atividades de educação ambiental para estudantes com deficiência intelectual (DI), por meio do contato direto deste com a natureza é uma forma de possibilitar-lhes conhecimentos ecológicos que facilitarão sua aprendizagem, contribuindo assim para sua interação com a natureza, colegas e educadores. O objetivo desse trabalho foi planejar trilhas ecológicas interpretativas no Jardim Botânico de Brasília (JBB) para crianças com deficiência intelectual, e avaliar a utilização da mesma. Ao planejar atividades de EA para estudantes com Deficiência Intelectual (DI) optou-se por usar uma ferramenta pedagógica que se tem mostrado muito eficiente, as Trilhas Ecológicas Interpretativas (TEI). Para tanto, após visitas feitas ao Jardim Botânico de Brasília foi escolhida a trilha do horto medicinal, chamada Linda Styer Caldas, na qual a partir do roteiro usado pela gerência de educação ambiental do JBB, foram acrescentados aspectos sociais, éticos e culturais às atividades, seguindo algumas recomendações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). O planejamento das atividades foi dividido em duas etapas: a primeira etapa é uma acolhida ao grupo no centro de visitantes, em que são contadas histórias de lendas das florestas brasileiras, realizadas brincadeiras e cantigas de roda, atividades de relaxamento e interação e a segunda etapa que consiste na realização do percurso dentro da trilha. A avaliação do uso da trilha do horto medicinal Linda Styer Caldas foi realizada por meio de observação do comportamento dos estudantes com DI de classes especiais de escolas públicas de Ceilândia/DF. Os resultados mostraram que houve uma interação positiva dos estudantes com a natureza, bem como com seus companheiros e educadores, e que o contato direto dos estudantes com os elementos naturais, facilitou aos mesmos uma melhor compreensão acerca dos problemas ambientes que atingem sua comunidade. Dessa forma, as TEI constituíram-se em uma importante ferramenta para o desenvolvimento de atividades de EA para estudantes com DI, contribuindo assim, para sua inclusão social, e mudanças de atitudes perante o meio ambiente. A análise qualitativa da atividade realizada vem apontar que o uso de trilhas ecológicas interpretativas constitui-se em uma importante ferramenta para o desenvolvimento do conteúdo meio ambiente, e que a mesma facilita a aprendizagem desse conteúdo por parte de estudantes com DI, além de proporcionar aos mesmos momentos de alegria e descontração, interação com a natureza, colegas e educadores, o que traz por consequência sua inclusão social e ambiental.