Título
Imprensa e Educação Ambiental: um estudo sobre a contribuição da mídia.
Esta pesquisa tem por objetivos (1) avaliar o papel exercido pela mídia, em especial pelos jornais, na modificação do imaginário coletivo no que se refere à delicada relação entre o desenvolvimento econômico e o meio ambiente; (2) examinar o papel que tais jornais tiveram no processo de Educação Ambiental; (3) contextualizar a dissonância cognitiva provocada por tal discurso jornalístico no período compreendido entre o início de 70 e a segunda metade dos anos 90 no tocante à mudança do paradigma de desenvolvimento econômico. Para isso, através de revisão bibliográfica, levantamento documental e entrevistas, resgatamos os principais movimentos do ambientalista gaúcho, brasileiro e mundial. Os eventos marcantes desta trajetória são por nós definidos como momentos de ponderação e de ensino/aprendizagem por meio das quais a sociedade despertou para o tema e tomou gradativamente a consciência da necessidade de se alterar a política de desenvolvimento econômico então vigente. O estudo se concentra no discurso dos principais jornais do Rio Grande do Sul em tais instantes de crise e estuda o papel que os enunciados jornalísticos começaram a ter no imaginário popular. Algumas teorias da comunicação, do jornalismo e da opinião pública (entre elas o espiral do silêncio, as esferas da objetividade, os princípios de recepção da notícia e a hipótese da Agenda-setting) embasaram a análise crítica que realizamos do noticiário da época. Cabe assinalar, por fim, de forma sucinta, as seguintes idéias introdutórias: No início dos anos 70, a questão ambiental estava impregnada de "valor-notícia". A conservação da natureza passou a representar no imaginário emergente a própria conservação da humanidade, e os meios de comunicação social perceberam este fato, dando ao tema um tratamento ideológico consensual. Com tal difusão, e aproveitamento ao máximo os momentos marcantes desta história (que relatamos no decorrer do trabalho), os jornais (e o restante da mídia) forneceram as cognições que abalaram o paradigma desenvolvimentista da sociedade então vigente. Nova concepção emerge: a do desenvolvimento sustentável, que acolhe o componente ético da vida humana com a natureza. A mídia incluiu a questão ambiental como tema prioritário de sua agenda graças ao potencial simbólico desta reflexão, que exigia introspecção profunda sobre os rumos da sociedade, do país e do mundo, num contexto de repressão e censura. A conseqüência foi um processo crescente de Educação Ambiental de massa, ou seja, a mídia promoveu reflexão e estimulou a mudança de opinião, atitudes e comportamentos das pessoas e dos atores sociais.