Título
De coisa de pequeno burguês para um debate relevante: a trajetória ambiental do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) - 1984-2004
(Objetivo) este trabalho contextualiza o processo de aproximação e de abordagem da temática ambiental no Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). Teve como objetivo principal identificar a educação ambiental que vem sendo construída neste movimento social, considerando o período de análise de 1984 a 2004. (Metodologia) foram pesquisados o setor de produção, cooperação e meio ambiente e o setor de educação do MST, nas suas instâncias de decisão, com sede em Brasília (DF). Utilizou-se da pesquisa semiestrutura (na qual foram entrevistados dirigentes dos setores acima citados), análise documental e bibliográfica (documentos, projetos, cartilhas e publicações científicas relacionadas ao tema) e pesquisa participante (atividades, reuniões, encontros e seminários promovidos pelos dois setores). (Resultados) o MST incorpora a discussão ambiental a partir de duas motivações principais: o movimento de influências externas - discussões sobre a questão ambiental a partir da década de 70 - e o processo interno de maturação da sua organicidade, na qual a vertente educacional contribuiu sobremaneira na formação de um sujeito social que em determinado momento toma a dimensão ambiental como mais uma das dimensões do seu processo de formação. A abordagem ambiental no MST é construída considerando as seguintes dimensões: política (fortalecimento da organização MST), econômica (garantia de renda e autonomia aos assentados), cultural (a reprodução social enquanto classe, com seus valores, costumes e crenças), ideológica (a contraposição ao modelo hegemônico de agricultura) e a dimensão sociológica (os elos e as alianças com outras organizações sociais do mesmo campo contra hegemônico). A educação ambiental ainda encontra-se em estágio embrionário, mas representa, sobretudo, nos arranjos produtivos, um grande avanço na tomada de consciência, porque tem promovido mudanças significativas na relação dos assentados com a natureza. No entanto, falta se consolidar, do ponto de vista da educação formal - nas escolas e cursos do MST - como uma questão importante no processo educativo.