Título
A história de Carla, uma educadora ambiental
Neste trabalho, investigo o processo de constituição do sujeito educador ambiental, procurando analisar as principais determinações e implicações sociais, culturais, políticas e econômicas na trajetória de vida (desde a infância até o momento presente) que constituem significativamente um educador ambiental. Para isso, busquei, na abordagem autobiográfica, conhecer o método história de vida, no qual realizei a interpretação da história de vida de Carla, uma educadora ambiental que atua em uma organização não governamental, o Nema (Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental). Com tal método, torna-se viável, a partir da singularidade da história de um sujeito, conhecer e compreender a universalidade, romper e denunciar a neutralidade científica, enfocar e tratar a subjetividade, e construir e discutir a relação pesquisadora e pesquisada. Além dessa abordagem, este estudo fundamenta-se na teoria da identidade na perspectiva de Ciampa (1986, 1990) e Maheire (1994), na qual a identidade é vista como uma construção social e histórica e um processo de metamorfose. Na história de vida emergem as interações, experiências, necessidades, carências, vivências e memórias que mais influenciaram e influenciam na sua constituição. A história de vida de Carla foi organizada e apresentada a partir de personagens que surgiram nas narrativas, são elas: guri, campeã, jovem e rebelde, bruxa e profissional. Nessas personagens estão presentes aspectos da Educação Ambiental, cuja trajetória foi merecedora de um aprofundamento, a fim de resgatar o seu movimento de construção e reconstrução. Na história de vida de Carla, pude perceber três vertentes presentes em todos os aspectos de sua trajetória, analisei e interpretei que Carla constituiu-se através das interações com a educação, a busca e a espiritualidade. Durante o percurso da pesquisa, entendi que as muitas interações sociais que influenciaram em sua constituição ocorreram em um movimento de subjetivação e objetivação, no qual a objetividade se subjetivou e a subjetividade se objetivou, evidenciando, dessa forma, a transformação nas suas próprias concepções e nas práticas em Educação Ambiental realizadas na sua trajetória, e especialmente no Nema. A educadora ambiental tem demonstrado a importância da educação permanente e o compromisso de busca de um trabalho coletivo, dialógico e interdisciplinar.