Título
A percepção ambiental de produtores rurais assentados no estado de São Paulo
O presente trabalho teve como objetivo avaliar a percepção ambiental dos assentados no estado de São Paulo através da aplicação de entrevistas apoiadas por questionário semiestruturado. Foram visitados 50 assentamentos e colhidos depoimentos de 689 assentados, selecionados através de delineamento amostral. Através das respostas foram criados 6 índices de percepção ambiental os quais permitem avaliar a diversidade do uso da terra (IDG), a percepção de erosão (IES), a percepção de impacto sobre os recursos hídricos (IRH) e florestais (IRF), a percepção de caça (ICA) e a interação com a mata (IIM). Medidas socioeconômicas e educacionais também foram avaliadas tais como a idade, gênero escolaridade, a percepção da qualidade de vida e o número de pessoas que tem moradia e trabalho nos lotes. Foram percebidas diferenças na percepção ambiental e nos índices socioeconômicos indicando a heterogeneidade dos assentamentos o que impossibilita qualquer conclusão plenamente válida para todo o estado de São Paulo. Concluiu-se que esta heterogeneidade é fruto da falta de uma diretriz política clara em relação à reforma agrária, o que faz com que critérios técnicos sejam relegados a planos de menor importância no processo de implantação dos assentamentos. Altos graus de capacitação e educação foram observados em 16,98±3,59% ao passo que 78,66±3,59% se apresentam com níveis educacionais abaixo daquele associado a níveis altos de percepção ambiental. Por fim, apenas 4,36%±3,59% se apresentam pouco capacitados, apesar de terem escolaridade suficiente. Em medidas diferentes, educação, capacitação e recursos são necessários e contribuem para a melhoria ambiental.