Título

Ambiente urbano e saúde: práticas e representações sociais sobre meio ambiente e saúde/doença no bairro Coroado-Manaus/AM

Programa Pós-graduação
Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia
Nome do(a) autor(a)
Maisa Elaine Arruda Fernandes
Nome do(a) orientador(a)
Evelyne Marie Therese Mainbourg
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2003
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Uma das características mais complexas do ambiente urbano têm sido a degradação ambiental e deterioração da qualidade de vida que afetam a saúde física e psicológica dos habitantes dessas áreas; nesses ambientes encontramos os maiores problemas com relação a moradia e qualidade de vida, que associados a certos hábitos culturais, falta de informação, educação e de ação interventora por parte do poder público, no sentido de criar meios para a melhoria da qualidade de vida, criam impactos ambientais e problemas de saúde. Tudo isso ocorre principalmente nas periferias dos centros urbanos, onde a falta de planejamento evidencia-se na degradação ambiental e na inexistência ou na deficiente qualidade dos serviços urbanos oferecidos à população. A área estudada: bairro Coroado, surgiu há mais de trinta anos - resultante do processo histórico de produção de espaço verificado na cidade de Manaus, que produziu as periferias e sua complexa relação com o meio ambiente - mas ainda hoje enfrenta problemas de infra-estrutura, de saneamento e ambientais: como esgoto a céu aberto, comprometendo a saúde dos moradores. Os processos simbólicos gerados a partir das relações sociais vividas no espaço urbano foram estudados e captados através da teoria das representações sociais com a finalidade de analisar as práticas e as representações sociais dos moradores do Coroado sobre meio ambiente e saúde/doença, enfocando as variações estruturais das representações sociais na visão daqueles moradores, avaliando a importância dessas representações para a compreensão das condutas em saúde/doença, destacando os fatores que intervêm nesse processo e na sua relação com o meio ambiente. As representações sociais permitiram ultrapassar o nível da constatação sobre o que se passa "na cabeça" dos indivíduos, procurando compreender como e por quais percepções, atribuições, atitudes e expectativas são construídas e mantidas, recorrendo aos sistemas de significação socialmente enraizados e partilhados que as orientam e justificam. Essa teoria aplicada à saúde permite dar conta da subjetividade implicada no processo saúde/doença; por intermédio delas compreende-se como o sujeito social apreende, elabora e expressa sua vida, seu ambiente e as informações nele contidas. Ambiente aqui, não é entendido somente como o meio que circunda as espécies e as populações biológicas, mas como uma categoria sociológica, configurada por comportamentos, valores e saberes que são menosprezados por ênfase dada ao saber científico. Com os resultados podemos inferir que os mecanismos econômicos, culturais e sócio-ambientais relativos ao espaço vivido produzem diferentes condições de saúde/doença que variam - entre indivíduos de uma mesma população - de acordo com o significado do adoecer e da relação de cada um desses indivíduos com o ambiente urbano. Mesmo se tratando de uma mesma população, as práticas e representações sociais dos moradores do Coroado não são homogêneas, pois refletem as relações sociais, a transmissão de saberes, as tradições e a interpretação dessas, que variam de um individuo para outro de acordo com suas vivências.


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