Título
Ambiente urbano e saúde: práticas e representações sociais sobre meio ambiente e saúde/doença no bairro Coroado-Manaus/AM
Uma das características mais complexas do ambiente urbano têm sido a degradação ambiental e deterioração da qualidade de vida que afetam a saúde física e psicológica dos habitantes dessas áreas; nesses ambientes encontramos os maiores problemas com relação a moradia e qualidade de vida, que associados a certos hábitos culturais, falta de informação, educação e de ação interventora por parte do poder público, no sentido de criar meios para a melhoria da qualidade de vida, criam impactos ambientais e problemas de saúde. Tudo isso ocorre principalmente nas periferias dos centros urbanos, onde a falta de planejamento evidencia-se na degradação ambiental e na inexistência ou na deficiente qualidade dos serviços urbanos oferecidos à população. A área estudada: bairro Coroado, surgiu há mais de trinta anos - resultante do processo histórico de produção de espaço verificado na cidade de Manaus, que produziu as periferias e sua complexa relação com o meio ambiente - mas ainda hoje enfrenta problemas de infra-estrutura, de saneamento e ambientais: como esgoto a céu aberto, comprometendo a saúde dos moradores. Os processos simbólicos gerados a partir das relações sociais vividas no espaço urbano foram estudados e captados através da teoria das representações sociais com a finalidade de analisar as práticas e as representações sociais dos moradores do Coroado sobre meio ambiente e saúde/doença, enfocando as variações estruturais das representações sociais na visão daqueles moradores, avaliando a importância dessas representações para a compreensão das condutas em saúde/doença, destacando os fatores que intervêm nesse processo e na sua relação com o meio ambiente. As representações sociais permitiram ultrapassar o nível da constatação sobre o que se passa "na cabeça" dos indivíduos, procurando compreender como e por quais percepções, atribuições, atitudes e expectativas são construídas e mantidas, recorrendo aos sistemas de significação socialmente enraizados e partilhados que as orientam e justificam. Essa teoria aplicada à saúde permite dar conta da subjetividade implicada no processo saúde/doença; por intermédio delas compreende-se como o sujeito social apreende, elabora e expressa sua vida, seu ambiente e as informações nele contidas. Ambiente aqui, não é entendido somente como o meio que circunda as espécies e as populações biológicas, mas como uma categoria sociológica, configurada por comportamentos, valores e saberes que são menosprezados por ênfase dada ao saber científico. Com os resultados podemos inferir que os mecanismos econômicos, culturais e sócio-ambientais relativos ao espaço vivido produzem diferentes condições de saúde/doença que variam - entre indivíduos de uma mesma população - de acordo com o significado do adoecer e da relação de cada um desses indivíduos com o ambiente urbano. Mesmo se tratando de uma mesma população, as práticas e representações sociais dos moradores do Coroado não são homogêneas, pois refletem as relações sociais, a transmissão de saberes, as tradições e a interpretação dessas, que variam de um individuo para outro de acordo com suas vivências.