Título

A caça de subsistência na Reserva Extrativista Chico Mendes - Acre: características, consumo e estratégias utilizadas

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento e Meio Ambiente
Nome do(a) autor(a)
Magaly da Fonseca da Silva Taveira de Medeiros
Nome do(a) orientador(a)
Loreley Gomes Garcia
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2001
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A fauna silvestre é importante fonte de proteína animal usada pela população tradicional residente na Reserva Extrativista Chico Mendes. O conhecimento sobre o consumo da caça e estratégias usadas nas caçadas são informações valiosas para contribuir na definição da implementação de medidas de manejo comunitário do recurso inserido a um processo de autogestão da área. O estudo buscou avaliar os aspectos sócioecológicos da caça de subsistência de algumas espécies de mamíferos e aves por famílias extrativistas, relacionando (I) o uso do recurso na obtenção de fonte de proteína para subsistência, (II) a ocorrência e disponibilidade do recurso em diferentes habitats, (III) a influência de tabus, crenças, costumes e forrageio, além de outros parâmetros. O estudo foi realizado na Reserva Extrativista Chico Mendes, município de Xapuri, estado do Acre, abrangendo os seringais São José, São José do Iracema, Venezuela, São Pedro, Floresta, Dois Irmãos, Boa Vista, Palmari, Nazaré e Filipinas, totalizando 10 seringais e 69 famílias para levantamento sócioetnozoológico, através de entrevistas realizadas. O levantamento sobre consumo de caça e conhecimento das estratégias das caçadas utilizadas pelos extrativistas foi efetuado através do uso de um instrumento educativo chamado "calendário da floresta" (FUNTAC, 1994), para 54 famílias residentes nos seringais. Os dados de ocorrência e disponibilidade de espécies de aves e mamíferos nas tipologias florestais foram analisados no seringal S. Pedro. O consumo de caça durante o ano de 1997, de acordo com os calendários preenchidos totalizou 1092 indivíduos, sendo paca (18%), jabuti (13%), veados (12%), porquinho (12% e guariba (10%) os animais mais consumidos, considerando-se 18 diferentes espécies animais na dieta do extrativista e, a caçada a ponto (45%) seguida da caçada de espera (32%) as estratégias mais utilizadas. A implementação do "calendário da floresta" demonstrou a viabilidade de um trabalho de manejo comunitário aliado a um programa de Educação Ambiental, envolvendo informações sobre biodiversidade, manejo de fauna e desenvolvimento sustentável. A discussão para definição de medidas para o manejo comunitário de fauna silvestre deverá contemplar não somente a interferência direta proveniente do uso da caça e influências sócio-econômicas e culturais, como também a capacidade de renovação da oferta do recurso, zonas para corredores naturais de fauna e, uso adequado da terra nas etapas de planejamento do programa de manejo.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
15/12/2014