Título
Avaliando estratégias de Educação Ambiental para a zona rural
Em se tratando da zona rural do país, segundo Kitamura (1999), a agricultura brasileira apresenta uma grande diversidade de problemas ambientais. Nas últimas décadas, com a difusão e a generalização dos sistemas intensivos de agricultura em todo o mundo, a produção agrícola aumenta de forma espetacular, todavia trazendo também impactos significativos ao meio ambiente. Nas áreas de agricultura intensiva, tem-se como problemas comuns, além da erosão e degradação do solo e da perda da biodiversidade como resultado da retirada total do revestimento florístico original e a prática de monocultivos, o uso intensivo de agrotóxicos, uma fonte potencial de contaminantes do meio ambiente. Assim, a mecanização da agrícola, racionalizando a mão de obra rural, tem contribuído decisivamente no desenvolvimento da agricultura moderna, porém não alcançou o nível desejado no que diz respeito à preservação ecológica e sustentabilidade da exploração agrícola, a par do avanço tecnológico e implementos agrícolas atualmente em uso . E os problemas ambientais não param de surgir, demonstrando a irracionalidade do modelo de desenvolvimento capitalista que domina o mundo, tornando assim, a questão ambiental cada vez mais urgente e importante para a sociedade. Nos últimos anos, o mundo todo tem discutido sobre essa questão. Diversos eventos têm reunido milhares de pessoas buscando conceitos, discutindo estratégias, analisando caminhos e avaliando resultados. Surgem propostas de soluções chamadas de "desenvolvimento sustentável", "agricultura sustentável", "agroecossistemas", "agricultura orgânica", "agroecologia", entre outras, mas todas essas tendências convergem para um único ponto: a Educação Ambiental. Oficialmente, foi na primeira conferência mundial de meio ambiente, realizada em Estocolmo em 1972, pela Organização das Nações Unidas, que se chegou a uma resolução importante de que se deve educar o cidadão para a solução dos problemas ambientais. Por isso, este projeto de pesquisa propõe o desenvolvimento de um Programa de Educação Ambiental com crianças de uma comunidade rural, considerando os aspectos históricos, culturais, sociais, econômicos e políticos que levam aos problemas ambientais da área rural. O programa buscou o estabelecimento de novas situações de aprendizagem, instrumentalizando os alunos para aprofundar seus conhecimentos, conduzindo à reflexão e novas tomadas de atitudes em relação ao meio em que vivem. O projeto foi realizado na Escola Rural Estadual de Ensino Fundamental “Nilton Salvadeo" , localizada no município de Piratininga, SP, e constou de uma investigação do nível de conhecimento das crianças sobre o meio ambiente e suas atitudes em relação ao mesmo, e de uma metodologia baseada em palestras, excursões, atividades lúdicas e realização de uma horta escolar. Estas atividades tinham como objetivo, envolver os alunos em questões como o desmatamento, a erosão, a questão do lixo, a poluição por agrotóxico, o desequilíbrio ecológico, e outras questões relacionadas ao meio ambiente rural. Os resultados obtidos e analisados através de abordagens qualitativas e quantitativas mostraram que o programa obteve o envolvimento das crianças, porém ele acabou juntamente com o término da pesquisa, o que demonstra a necessidade de se trabalhar com o professor, através de cursos e elaboração de material didático direcionado à Educação na zona rural, obtendo assim a continuidade dos trabalhos educativos. Concluímos assim que, o grande desafio da Educação Ambiental na zona rural ,é preparar pessoas competentes para atuarem em seus programas. Grande parte dos programas são centrados nas crianças, e são desenvolvidos por "educadores ambientais", o que produz certa dependência desses poucos programas. A Educação Ambiental é um trabalho que exige continuidade e constantes reflexões relativas ao meio ambiente. O dia-a-dia na sala de aula pode ser muito rico se mesclado com atividades de Educação Ambiental. Por isso, os professores devem estar preparados para aplicar estas atividades e não se tornarem totalmente dependentes de programas extracurriculares. Sendo assim, há necessidade de instrumentalização dos professores e educadores, especialmente da zona rural, para trabalharem com Educação Ambiental. Sugere-se também produção de material de apoio para o professor, livros, manuais, materiais audiovisuais, devem ser elaborados e postos a disposição da comunidade educativa. Esta tarefa cabe a nós pesquisadores, que temos o dever e a responsabilidade de devolver à sociedade o que nos foi dado pela instituição ou universidade, mantidas pela própria sociedade.