Título
Contribuição para o estudo do manejo de dunas: caso das praias de Osório e Xangri-Lá, Litoral Norte do Rio Grande do Sul
Os litorais dos municípios de Osório e Xangri-lá estão inseridos no Litoral Norte do RS, e formam uma faixa contínua de aproximadamente 13 km de extensão de praia. A ocupação desordenada desta área e substituição das dunas frontais por projetos urbanísticos, além de afetar o balanço de sedimentos praia-duna, vem acarretando problemas cíclicos de manutenção e retirada de areia das vias públicas e residências. Para que esses problemas não comprometam seu crescimento econômico, é necessário conciliar o desenvolvimento do turismo e do veraneio com a preservação das suas características naturais, melhoria nos serviços (segurança, higiene e alimentação) e facilidades de acesso à praia. Neste sentido, foi estabelecido uma sistemática de estudos para o diagnóstico ambiental e elaboração de planos de manejo de dunas frontais que visou conciliar o uso das praias, como espaço de recreação e lazer, com a conservação das dunas. A praia de Osório foi classificada segundo a metodologia de Checklist, que permitiu um rápido conhecimento da vulnerabilidade do sistema. As regiões que apresentaram maior sensibilidade estão diretamente relacionadas com a pressão de uso, principalmente aspectos relacionados com a pavimentação da Avenida Beira Mar e com a presença de residências próximas ao sistema de dunas. A inserção destas informações a um Sistema de Informação Geográfica (SIG) permitiu uma melhor visualização dos locais e as metodologias pretendidas para sua recuperação. Para a praia de Xangri-lá teve-se o objetivo de dar continuidade ao procedimento para o plano de manejo de dunas, iniciado em 2005, a partir do monitoramento de 12 perfis topográfico de praia, de vegetação e de resíduos sólidos, com a finalidade de avaliação da evolução do sistema praial deste município entre os anos de 2005 e 2006. Os resultados obtidos através dos perfis mostraram que o sistema de dunas é caracterizado por um único cordão de dunas linear não contínuo e de topografia irregular, muito segmentado pela ação antrópica, com reduzida cobertura vegetal, e com formação de pequenas a médias bacias de deflação. A altura máxima encontrada para o sistema foi de 3,2 m e as larguras entre 13 e 40 m (média de 28 m), representando um sistema frágil. Entre os anos de 2005 e 2006 o que se pode observar, de modo geral, foi uma acentuação dos processos de erosão, sendo os processos de reconstrução ineficientes. A presença considerável de resíduos sólidos nas praias nos meses de intensa atividade de turismo e veraneio, com significativa redução nos demais meses, demonstra a predominância destas atividades como principais introdutoras de resíduos. De forma geral, parte do sucesso de um programa de manejo, deve-se a uma estratégia de informações para a comunidade e de programas de sensibilização pública capaz de gerar mudanças de postura a partir da compreensão das funções dos sistemas de dunas costeiras, e foi neste sentido que o capítulo final apresentou algumas dinâmicas de Educação Ambiental voltadas para o sistema de dunas.