Título
Educação Ambiental e Candomblé: modos de educação, cultura e resistência
Este estudo teve por objetivo identificar como se estabelecem as relações / interações entre o ambiente religioso, no caso o terreiro de Candomblé, a família e a escola. A amostra foi composta por três estudantes, dois adultos adeptos do Candomblé e as professoras dos referidos estudantes. O estudo direcionou-se a investigar a possibilidade de aprofundar a dimensão ambiental presente na religião de matriz africana, utilizando-a como modo de ressignificação dos saberes trabalhados na escola. Estabelecendo uma conexão com o pensamento de Guattari, relacionando a riqueza da cultura e saberes africanos na religião de matriz africana, vivenciada nos terreiros de batuque, com a Ecologia do Meio Ambiente, das Relações Sociais e da Ecologia Mental. O modelo teórico-metodológico de desenvolvimento humano de Urie Bronfenbrenner possibilitou a compreensão da importância dos diferentes ambientes no desenvolvimento do ser humano. E de como a negação das vivências de um ambiente relacional por outro tão intenso quanto o primeiro, pode prejudicar a autoestima e a formação de identidade destes estudantes. Faz parte dos objetivos deste estudo, definir as visões e ações dos adeptos do terreiro investigado, em relação à Educação Ambiental. Os resultados foram obtidos através de análise textual discursiva das entrevistas e da interpretação das observações realizadas ao longo do trabalho de campo, aplicando instrumentos do método etnográfico e da narrativa sócio-poética. Os resultados delineiam a escola como uma instituição que preza a ordem, ainda regida pela lógica dominante, permeada por práticas autoritárias e excludentes, lutando por se manter igual em um mundo que se faz diferente a cada segundo. Desconsiderando que o intelecto não é a única forma de conhecimento e a pluralidade das culturas que compõem a sociedade brasileira, rica em paradigmas socioculturais, em que o simbólico e o imaginário interpenetram cada indivíduo ao significar o mundo.