Título
Gestão participativa dos recursos naturais e desenvolvimento de comunidades sustentáveis na Amazônia brasileira: estudo de caso dos agentes ambientais voluntários na reserva de desenvolvimento sustentável Mamirauá
Este estudo tem como objetivo realizar o diagnóstico da percepção ambiental dos moradores da área de entorno do Parque Estadual do Bacanga (PEB), localizado no município de São Luís. O procedimento metodológico deu-se em 4 (quatro) bairros, denominados: Vila dos Frades, Vila Esperança, Vila Conceição e Recanto Verde, sendo aplicados 80 questionários distribuídos 20 (vinte) em cada bairro. A pesquisa foi desenvolvida, de forma aplicada, a qual objetivou a geração de conhecimentos para aplicação por meio de questionários estruturados, destacando-se informações sobre o desenvolvimento local, interatividade com o ambiente e qualidade ambiental, possibilitando levantamentos relativos ao tempo de moradia na proximidade do PEB; as mudanças ambientais, animais e plantas existentes no PEB; o diálogo entre os moradores sobre meio ambiente, qualidade de vida e Educação Ambiental, preocupações e causas que levam às possíveis degradações ambientais no PEB e em seu entorno e as soluções propostas para essa área. Posteriormente, as entrevistas semiestruturadas se destacaram em virtude de nos fornecer um conhecimento dos moradores sobre indícios topofílicos e biofílicos, o desenvolvimento da mudança da paisagem, interatividade com o ambiente, mapas mentais identificando o ambiente em que vivem. Como resultados, observou-se que 45% dos entrevistados residem no entorno do PEB entre 1 e 10 anos; 34% entre 11 e 20 anos; 15% entre 21 e 30 anos e somente 6% a mais de 30 anos e deu-se por diversos motivos, como: família, a busca de emprego nesta região, o gostar da natureza e a tranquilidade. As mudanças ambientais mais preponderantes nessa região percebidas foram “a falta d’água, aumento das construções e o desmatamento no PEB”. A percepção que os moradores locais têm em relação à fauna existente no PEB revela que há uma predominância da cutia, representando 21% da fauna do parque, por cobras, preguiças e tatu, 15% cada um. Observou-se que 26% da população entrevistada relataram que a Juçara é a espécie vegetal mais representativa, seguida do Buriti e Caju com 23% cada um. 48% responderam que não entendem sobre o significado do meio ambiente, 24% não tem interesse e 16% não tem tempo para dialogar. Para os entrevistados, a qualidade de vida representa uma vida saudável, religiosidade, a natureza preservada e o bom relacionamento com os vizinhos. Com relação à preocupação ambiental, a contaminação e falta d’água e o acúmulo de lixo predominaram. As causas dos problemas ambientais foram relacionadas, principalmente, à falta de emprego, aliado à falta de consciência e ação do poder público. Os resultados mostraram que a gravidade da situação econômica e social reflete em situações de desinformação e de insegurança, levando os moradores a praticarem atividades que influenciam sobre a base de recursos naturais preservados, mostrando, atualmente, um cenário crítico no parque pela descaracterização da paisagem natural ocasionada, principalmente, por desmatamentos, queimada, caça ilegal e construções irregulares no interior e nos limites do parque.