Título

Gestão participativa dos recursos naturais e desenvolvimento de comunidades sustentáveis na Amazônia brasileira: estudo de caso dos agentes ambientais voluntários na reserva de desenvolvimento sustentável Mamirauá

Programa Pós-graduação
Ciências Florestais e Ambientais
Nome do(a) autor(a)
Lenisa Nina Gomes
Nome do(a) orientador(a)
Antenor Francisco de Figueiredo
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2006
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Este estudo tem como objetivo realizar o diagnóstico da percepção ambiental dos moradores da área de entorno do Parque Estadual do Bacanga (PEB), localizado no município de São Luís. O procedimento metodológico deu-se em 4 (quatro) bairros, denominados: Vila dos Frades, Vila Esperança, Vila Conceição e Recanto Verde, sendo aplicados 80 questionários distribuídos 20 (vinte) em cada bairro. A pesquisa foi desenvolvida, de forma aplicada, a qual objetivou a geração de conhecimentos para aplicação por meio de questionários estruturados, destacando-se informações sobre o desenvolvimento local, interatividade com o ambiente e qualidade ambiental, possibilitando levantamentos relativos ao tempo de moradia na proximidade do PEB; as mudanças ambientais, animais e plantas existentes no PEB; o diálogo entre os moradores sobre meio ambiente, qualidade de vida e Educação Ambiental, preocupações e causas que levam às possíveis degradações ambientais no PEB e em seu entorno e as soluções propostas para essa área. Posteriormente, as entrevistas semiestruturadas se destacaram em virtude de nos fornecer um conhecimento dos moradores sobre indícios topofílicos e biofílicos, o desenvolvimento da mudança da paisagem, interatividade com o ambiente, mapas mentais identificando o ambiente em que vivem. Como resultados, observou-se que 45% dos entrevistados residem no entorno do PEB entre 1 e 10 anos; 34% entre 11 e 20 anos; 15% entre 21 e 30 anos e somente 6% a mais de 30 anos e deu-se por diversos motivos, como: família, a busca de emprego nesta região, o gostar da natureza e a tranquilidade. As mudanças ambientais mais preponderantes nessa região percebidas foram “a falta d’água, aumento das construções e o desmatamento no PEB”. A percepção que os moradores locais têm em relação à fauna existente no PEB revela que há uma predominância da cutia, representando 21% da fauna do parque, por cobras, preguiças e tatu, 15% cada um. Observou-se que 26% da população entrevistada relataram que a Juçara é a espécie vegetal mais representativa, seguida do Buriti e Caju com 23% cada um. 48% responderam que não entendem sobre o significado do meio ambiente, 24% não tem interesse e 16% não tem tempo para dialogar. Para os entrevistados, a qualidade de vida representa uma vida saudável, religiosidade, a natureza preservada e o bom relacionamento com os vizinhos. Com relação à preocupação ambiental, a contaminação e falta d’água e o acúmulo de lixo predominaram. As causas dos problemas ambientais foram relacionadas, principalmente, à falta de emprego, aliado à falta de consciência e ação do poder público. Os resultados mostraram que a gravidade da situação econômica e social reflete em situações de desinformação e de insegurança, levando os moradores a praticarem atividades que influenciam sobre a base de recursos naturais preservados, mostrando, atualmente, um cenário crítico no parque pela descaracterização da paisagem natural ocasionada, principalmente, por desmatamentos, queimada, caça ilegal e construções irregulares no interior e nos limites do parque.


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